<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550</id><updated>2011-08-08T20:49:08.496+01:00</updated><title type='text'>Cão de Guarda</title><subtitle type='html'>A morder os calcanhares do poder </subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>57</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-110600376182642553</id><published>2005-01-17T23:14:00.001Z</published><updated>2005-01-17T23:16:01.826Z</updated><title type='text'>Mudança de Casota</title><content type='html'>O URSO POLACO MUDOU DE CASOTA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGORA VIVE AQUI: &lt;a href="http://www.CAO-DE-GUARDA.BLOGSPOT.COM"&gt;WWW.CAO-DE-GUARDA.BLOGSPOT.COM&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-110600376182642553?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/110600376182642553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=110600376182642553' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110600376182642553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110600376182642553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2005/01/mudana-de-casota.html' title='Mudança de Casota'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-110060098753490055</id><published>2004-11-16T10:29:00.000Z</published><updated>2004-11-16T10:29:47.533Z</updated><title type='text'>USA</title><content type='html'>&lt;div style="float: right; margin-left: 10px; margin-bottom: 10px;"&gt; &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1422502/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://www.flickr.com/photos/1422502_b3427cb2f6_m.jpg" alt="" style="border: solid 2px #000000;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-size: 0.9em; margin-top: 0px;"&gt;  &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1422502/"&gt;USA&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;  Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-110060098753490055?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/110060098753490055/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=110060098753490055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060098753490055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060098753490055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/11/usa_16.html' title='USA'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-110060086696340242</id><published>2004-11-16T10:26:00.000Z</published><updated>2004-11-16T10:27:46.963Z</updated><title type='text'>De Hiroxima às Twin Towers</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Visto o número de vítimas civis inocentes mortas no Afeganistão a título “colateral" pelos bombardeamentos norte americanos, ser agora igual ao número das que morreram no ataque às Twin Towers, talvez nos seja permitido situar os acontecimentos numa perspectiva mais ampla - mais ampla mas não menos trágica - e pôr uma nova questão: matar deliberadamente será fazer um mal mais grave ou mais repreensível do que matar às cegas e sistematicamente? ( Digo sistematicamente porque os Estados Unidos começaram a pôr de pé esta estratégia armada a partir da Guerra do Golfo.)&lt;br /&gt;Não tenho resposta para a questão que formulo. È possível que no terreno, por entre as bombas em cacho lançadas pelos B-52, ou no fumo sufocante de Church Street, em Manhantan, qualquer comparação ética se torne, a este nível, indecente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No 11 de Setembro de 2001, quando vi na televisão o que os vídeos transmitiam, isso recordou-me imediatamente o 6 de Agosto de 1945. Com efeito, foi nesse dia à noite que nós europeus, soubemos da notícia do bombardeamento de Hiroxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre estes dois acontecimentos há óbvias correspondências, nomeadamente uma bola de fogo que cai sem avisar de um céu sem nuvens, tendo ambos os ataques sido projectados de modo a ocorrerem à hora em que os civis das cidades escolhidas vão de manhã para o trabalho, em que as lojas abrem, em que as crianças se encontram na escola preparando as lições. Em ambos há uma idêntica redução a cinzas, corpos lançados pelos ares e transformados em destroços. Uma mesma incredulidade e um mesmo caos provocados por uma nova arma de destruição utilizada pela primeira vez – a bomba A há sessenta anos, um avião de passageiros no Outono passado. No epicentro de ambas as ocorrências, sobre todas as coisas e sobre toda a gente, um espesso sudário de pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, as diferenças de escala e de contexto são enormes. Em Manhantan o pó não era radioactivo. Em 1945, havia então três anos que os Estados Unidos levavam a cabo uma verdadeira guerra contra o Japão. Mas nem por isso deixa de ser verdade que os dois ataques foram concebidos para servir de aviso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante um e o outro, ficou a saber-se que a partir dali o mundo já não era o mesmo mundo: os riscos que por toda a parte são inerentes à vida sofreram uma metamorfose na aurora de um novo dia que amanhecia sem nuvens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bombas lançadas sobre Hiroxima e Nagasáqui anunciaram que os Estados Unidos passavam a ser a suprema potência militar do mundo. O ataque do 11 de Setembro anunciou que esta potência já não tem no seu próprio solo uma invulnerabilidade garantida. Estes dois acontecimentos assinalam o início e o fim de um certo período histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais agudos comentários e análises, e também os mais angustiados, da resposta do presidente George W. Bush ao 11 de Setembro – aquilo a que chamou  “Guerra contra  o Terrorismo”, primeiro crismada “Justiça Infinita” e depois baptizada “Liberdade Imutável” – foram exprimidos e escritos por cidadãos dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acusação de antiamericanismo feita contra os que se opõem formalmente aos decisores em funções em Washington é de tão curtas vistas como a política que nós pomos em causa. Há incontáveis cidadãos dos Estados Unidos que são antiamericanos e de quem nós somos solidários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também numerosos cidadãos estadunidenses que apoiam a política de Bush, incluindo sessenta intelectuais que recentemente assinaram uma declaração em que procuram definir o que é em geral uma guerra “justa” e por que razão, em particular, se justificam a operação “Liberdade Imutável” no Afeganistão e a guerra contra o terrorismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiantam estes intelectuais o argumento de que uma guerra é “justa”, ou moralmente justificada, quando o seu objectivo consiste em defender do mal os inocentes. Citam Santo Agostinho. Acrescentando que semelhante guerra, na medida do possível, deverá respeitar a imunidade dos não combatentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se lermos esta declaração com toda a inocência (sabendo, é claro, que ela não foi redigida espontaneamente nem de modo inocente), o texto faz-nos pensar numa reunião de peritos pacientes e eruditos, exprimindo-se com discrição, tendo por sua conta uma vasta biblioteca (talvez até uma piscina entre cada sessão de trabalho) e dispondo do tempo todo para reflectir com calma, para discutir as reservas que uns e outros emitem, chegando por fim a um acordo em que resumem o juízo de todos sobre a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressalta também dessa declaração a ideia de uma tal reunião de peritos que terá decorrido algures numa espécie de mítico hotel de Seis Estrelas (com acesso reservado a helicópteros) situado num parque espaçoso mas igualmente cercado de altas muralhas, provido de guardas e com pontos de controlo policiais. Lugar esse onde não pode haver o mínimo contacto entre tais pensadores e a população local, e onde os encontros resultantes do acaso são impossíveis. Resultando pois de semelhantes circunstâncias  que aquilo que realmente ocorreu na história e aquilo que hoje se passa para além das paredes do hotel não é tido como um dado legítimo, não sendo, por conseguinte, levado em linha de conta. Trata-se aqui de uma ética para turistas de luxo, protegidos do mundo exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao Verão de 1945. Nessa altura haviam já sido destruídas pelo fogo, na sequência de bombardeamentos com napalm, sessenta e seis das maiores cidades japonesas. Em Tóquio um milhão de civis encontrava-se sem tecto e 100 mil pessoas tinham sido mortas. Essas pessoas, para retomarmos a expressão do general-de-divisão Curtis Lemay, responsável dessas operações de bombardeamentos pelo fogo, haviam sido “grelhadas, fervidas e cozidas até à morte”. O filho do presidente Franklin Roosevelt, que era também seu confidente, declarara que os bombardeamentos deviam continuar “até termos destruído mais ou menos metade da população civil japonesa”. A 18 de Julho o imperador do Japão telegrafa ao presidente Truman que entretanto sucedera a Roosevelt, para pedir mais uma vez a paz. A mensagem será ignorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns dias antes do bombardeamento de Hiroxima, o vice-almirante Radford alardeia a sua bazófia: “O Japão vai acabar por ser uma nação sem cidades – um povo de nómadas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bomba que explodiu por cima de um hospital no centro da cidade matou de uma penada 100 mil pessoas, das quais 95 por cento eram civis. Na sequência da bomba, 100 mil outras irão morrer lentamente dos efeitos da irradiação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há dezasseis horas”, anunciou o presidente Truman, “um avião americano lançou uma bomba sobre Hiroxima, importante base militar japonesa”. Um mês depois, a primeira reportagem não censurada – do corajoso jornalista australiano Wilfred Burchett – descreve os indizíveis sofrimentos que o autor testemunhou ao visitar naquela cidade um hospital improvisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O general Groves, então director militar do Projecto Manhanttan, projecto este cuja missão consistia em planificar e produzir a bomba, apressou-se a tranquilizar os membros do Congresso dizendo-lhes que as radiações não provocavam “nenhum sofrimento excessivo” e que “na realidade, segundo nos dizem, constituem uma forma muito agradável de morrer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1946, o inquérito sobre os bombardeamentos estratégicos efectuados pelos Estados Unidos conclui que “o Japão ter-se-ia rendido mesmo que as bombas atómicas não tivessem sido lançadas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, descrever desta maneira uma tal sequência de acontecimentos é simplificar em exagero. O Projecto Manhanttan foi criado em 1942, na altura em que Hitler triunfava e em que era muito sério o risco de serem investigadores alemães os primeiros a produzir bombas atómicas. Por outro lado, a decisão americana de lançar duas bombas sobre o Japão na altura em que esse risco já não existia tem de ser vista no contexto das atrocidades cometidas pelas forças japonesas através do sudeste asiático e do ataque surpresa a Peal Harbour em Dezembro de 1941. Certos chefes militares americanos e certos cientistas que trabalhavam no Projecto Manhanttan fizeram quanto estava ao seu alcance para dissuadir Truman de tomar uma decisão de tão pesadas consequências ou, pelo menos, para a retardar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim de contas, porém, após tudo ter sido dito e feito, foi impossível celebrar a rendição incondicional do Japão a 14 de Julho – ela aliás não foi sem condições – como uma vitória longamente desejada. No âmago dessa rendição reinavam a angústia e a cegueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta história tem por fim mostrar a que ponto sessenta  pensadores norte-americanos, no seu mítico Hotel de Seis Estrelas, chegam a ser estranhos até à realidade da sua própria história nacional. Tem também por fim lembrar que o período de supremacia militar americana iniciado em 1945 começou, para todos quantos se situam fora da órbita norte-americana, com uma ofuscante demonstração de potência longínqua, impiedosa mas cheia de ignorância. O presidente Bush deveria ter em mente tais factos quando pergunta “Por que razão nos odeiam eles?”. Mas como o poderá fazer? É ele um dos directores do Hotel de Seis Estrelas e nunca de lá sai.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;BERGER, John, “De Hiroxima às Twin Towers”, Le Monde Diplomatique, nº42, 2002.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-110060086696340242?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/110060086696340242/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=110060086696340242' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060086696340242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060086696340242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/11/de-hiroxima-s-twin-towers.html' title='De Hiroxima às Twin Towers'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-110060068890654947</id><published>2004-11-16T10:23:00.000Z</published><updated>2004-11-16T10:24:48.906Z</updated><title type='text'>Votados à ruína</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os empregados por conta de outrem atingem em certos sectores a situação de neo-escravos desse outrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi por amor à  liberdade que o ser humano acabou com a escravatura: foi por poupança.&lt;br /&gt;Quando manter um cativo se revelou mais dispendioso do que retribuir um contratado, o mundo pulou - e abriu-se à era dos assalariados.&lt;br /&gt;Não foi por amor à liberdade que as ditaduras cederam lugar às democracias: foi por negócio. Ao tornarem-se limitadores da expansão neocapitalista, os regimes totalitários colapsaram em cascata, como se viu (Portugal, Espanha, Grécia, Brasil, Chile, Argentina, Peru, Filipinas, Guiné, Urss, etc.) nos finais do século passado.&lt;br /&gt;Esta visão da história, um pouco cínica, reconheça-se, ganha hoje ressonâncias alertadoras. Estamos, com efeito, a assistir, passada a euforia das referidas mudanças ( que impediu os contentinhos delas de perceberem os logros engendrados), ao emergir de outro ciclo, com dialéticas diferentes mas propósitos afins.&lt;br /&gt;Os empregados por conta de outrem são-no cada vez menos atingindo (já) em certos sectores a situação de neo-escravos desse outrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os regimes democráticos submergem, por sua vez, em ditaduras de minorias crescentes, porque somadas, como as do lucro selvagem, as da produtividade insaciável, as do consumo alienante, as do sucesso anestesiante.&lt;br /&gt;O único poder que neles ainda se sufraga é o político, cada vez mais subjugado, aspirado, no entanto, pelo económico – no qual os cidadãos não metem prego nem estopa, isto é, votos em urnas.&lt;br /&gt;A classe dominante (mais restrita e mais dominante) percebeu que o seu domínio se revela mais bem defendido por comunicadores «glamorosos» do que por polícias agressivos, por televisões de permissividades light do que por censores de pudicia beata, por subculturas padronizadas do que por analfabetismos impostos.&lt;br /&gt;O país foi (foi-se) dividindo em duas «classes»: a dos integrados no sistema (os privilegiados dele) e a dos excluídos (excedentarizados) por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subtil, um pensamento único (vá lá, dois «pensamentos únicos») cobre tudo e todos – quase tudo e todos. Os cobertos defendem-se dos outros ( com a visão afectada por isso), rotulando-os de «pessimistas» (outrora designavam-nos de subversivos), depreciando-os de incapazes e falhados, insinuando-os de invejosos e venenosos, maneira da sua boa consciência não ficar de pernas para o ar; de pernas para o ar fica a democracia que, se se livrou dos ditadores de outrora, não escapou dos padrinhos da actualidade, totalitários na corrupção, na atracção, na convicção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os regimes que proliferam à nossa volta deixaram de assentar em poderes de alternância para assentar «em poderes», dizia Júlio Pinto, «de alterne». A manipulação permitida pelas hipertecnologias ( há televisões que elegem, afirmam, presidentes da República) coloca – como na semana passada muito lucidamente comentava Iva Delgado no programa de Simone na TV-Mulher- o mundo a jeito de ditaduras alcançáveis por voto, por terrorismo, por demagogia, por coacções de imprevisíveis consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dilatar do neo-esclavagismo (cerca de 900 mil a mais anualmente) que se observa, veja-se a maneira como são tratados os imigrantes, é indiciador disso. «Um ser humano sem personalidade jurídica» é um objecto transaccionável, lembra Luís Salgado Matos. «Reter os seus documentos é uma maneira de o fazer escravo».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As perversões do comunismo observadas na URSS e na China, na Albânia e em Cuba deram álibis irreversíveis para o fim da guerra fria e o início da globalização com que os novos imperialismos aquecem presentemente as liberdades no globo.&lt;br /&gt;Os beneficiados da situação continuam, entretanto, a dançar, sorridentes, entre os seus privilégios de lobby, os seus topos de gama, os seus cartões doirados, os seus yes men, os seus cargos cativos, calcando displicentemente, paternalisticamente ( as «rescisões amigáveis» de empregos que o digam) os desafinadores dos acordes da sua música de falsete: «Money, Money, Money, mon, m…»&lt;br /&gt;Shopenhauer, o maior pessimista da Europa (influenciou entre nós alguns dos melhores de nós como, nos finais do século XIX, os Vencidos da Vida) nunca teve papas na língua no provocar-nos: «A raça humana está de uma vez por todas votada à ruína.»&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Dacosta, Fernando, “Votados à ruína”, Visão, 28 de Agosto de 2003, p.114&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-110060068890654947?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/110060068890654947/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=110060068890654947' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060068890654947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060068890654947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/11/votados-runa.html' title='Votados à ruína'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-110060037918041251</id><published>2004-11-16T10:18:00.000Z</published><updated>2004-11-16T10:19:39.180Z</updated><title type='text'>A sesta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O presidente da República diz, como disse há pouco tempo, que o país está à beira de uma crise sem precedentes? O dr. Santana Lopes disfarça: aplaude o discurso, deixa cair um sorriso e decide ser “positivo”. O país discute a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI e as pressões do governo sobre a comunicação social? O dr. Santana Lopes desvaloriza: enquanto ele for primeiro ministro, não há “ruído” que desvie o Governo das questões que “verdadeiramente interessam aos portugueses”. A oposição – acompanhada pela generalidade dos economistas – garante que o Orçamento é uma ficção e que os seus objectivos são impossíveis de cumprir? O dr. Santana Lopes não liga: com ele, as pensões sobem, os impostos descem, os salários aumentam e o défice mantém-se miraculosamente abaixo dos 3%. O Expresso refere, numa legenda, que o dr. Santana Lopes fez uma sesta antes de ir para a ModaLisboa? A legenda cai que nem uma bomba junto do primeiro-ministro. A sesta, transforma-se de imediato, num caso nacional com direito a desmentido e honras de comunicado. Evidentemente, o dr. Santana Lopes considera que a sua hipotética sesta é uma das tais questões que “verdadeiramente interessam aos portugueses”.&lt;br /&gt;Assim sendo, e dada a gravidade do caso, o gabinete do primeiro-ministro decidiu emitir um comunicado a desmentir categoricamente a calúnia. Segundo a nota, divulgada através da agência Lusa, o primeiro-ministro não fez nenhuma sesta nesse dia: foi directamente da Assembleia da República e do debate mensal com a oposição para o desfile da ModaLisboa. Ana Costa Almeida, chefe de gabinete do dr. Santana Lopes, é testemunha desse percurso sem mácula: “Acompanhei o senhor primeiro-ministro na sua deslocação à assembleia da república, de onde saiu às 18h30 e não às 17h00 como foi dito e, depois disso, o dr. Santana Lopes não foi fazer qualquer sesta, como é afirmado.” Os portugueses podem, portanto, descansar: o dr. Santana Lopes não fez nenhuma sesta no dia em que foi à ModaLisboa. Como se pode ler no comunicado, a legenda do Expresso é uma calúnia, fruto de uma “linha editorial cada vez mais estranha”, que visa apenas denegrir a imagem do primeiro-ministro.&lt;br /&gt;Dentro desta linha, no entanto, o comunicado podia ter sido um pouco mais explícito. Alertados para a falsa sesta do primeiro-ministro, os portugueses teriam todo o interesse em conhecer os verdadeiros contornos da história. Não chega saber que o primeiro-ministro saiu do parlamento às 18h30. É necessário ir mais longe! É importante perceber se o primeiro-ministro foi directamente do parlamento para a ModaLisboa. Se é verdade que fumou um cigarro a seguir ao debate. Se se confirma que mudou de sapatos. Depois disto, espera-se que o próximo comunicado do gabinete do primeiro-ministro revele, pelo menos, se o dr. Santana Lopes lanchou. O país agradece!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Sá, Constança Cunha e, “A sesta”, Sábado, nº25, 2004, p.62.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-110060037918041251?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/110060037918041251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=110060037918041251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060037918041251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060037918041251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/11/sesta_16.html' title='A sesta'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-110059706314366928</id><published>2004-11-16T09:21:00.000Z</published><updated>2004-11-16T09:24:23.143Z</updated><title type='text'>O medo vai ter tudo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há poemas que falam por nós e pelos momentos que vivemos. Alexandre O´Neil escreveu «O Poema pouco original do medo» e não estava a pensar no que os EUA nos reservam para os próximos quatro anos. Mas podia tê-lo feito. O medo, afinal, venceu. Teve tudo, vai ter tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;«O medo vai ter tudo&lt;br /&gt;pernas&lt;br /&gt;ambulâncias&lt;br /&gt;e o luxo blindado&lt;br /&gt;de alguns automóveis&lt;br /&gt;Vai ter olhos onde ninguém o veja&lt;br /&gt;mãozinhas cautelosas&lt;br /&gt;enredos quase inocentes&lt;br /&gt;ouvidos não só nas paredes&lt;br /&gt;mas também no chão&lt;br /&gt;no tecto&lt;br /&gt;no murmúrio dos esgotos&lt;br /&gt;e talvez até (cautela!)&lt;br /&gt;ouvidos nos teus ouvidos&lt;br /&gt;O medo vai ter tudo&lt;br /&gt;fantasmas na ópera&lt;br /&gt;sessões contínuas de espiritismo&lt;br /&gt;milagres&lt;br /&gt;cortejos&lt;br /&gt;frases corajosas&lt;br /&gt;meninas exemplares&lt;br /&gt;seguras casas de penhor&lt;br /&gt;maliciosas casas de passe&lt;br /&gt;conferências várias&lt;br /&gt;congressos muitos&lt;br /&gt;óptimos empregos&lt;br /&gt;poemas originais&lt;br /&gt;e poemas como este&lt;br /&gt;projectos altamente porcos&lt;br /&gt;heróis&lt;br /&gt;(o medo vai ter heróis!)&lt;br /&gt;costureiras reais e irreais&lt;br /&gt;operários&lt;br /&gt;(assim assim)&lt;br /&gt;escriturários&lt;br /&gt;(muitos)&lt;br /&gt;intelectuais&lt;br /&gt;(o que se sabe)&lt;br /&gt;a tua voz talvez&lt;br /&gt;talvez a minha&lt;br /&gt;com a certeza a deles&lt;br /&gt;Vai ter capitais&lt;br /&gt;países&lt;br /&gt;suspeitas como toda a gente&lt;br /&gt;muitíssimos amigos&lt;br /&gt;beijos&lt;br /&gt;namorados esverdeados&lt;br /&gt;amantes silenciosos&lt;br /&gt;ardentes&lt;br /&gt;e angustiados&lt;br /&gt;Ah o medo vai ter tudo&lt;br /&gt;tudo&lt;br /&gt;(Penso no que o medo vai ter&lt;br /&gt;e tenho medo&lt;br /&gt;que é justamente&lt;br /&gt;o que o medo quer)&lt;br /&gt;O medo vai ter tudo&lt;br /&gt;quase tudo&lt;br /&gt;e cada um por seu caminho&lt;br /&gt;havemos todos de chegar&lt;br /&gt;quase todos&lt;br /&gt;a ratos&lt;br /&gt;Sim&lt;br /&gt;a ratos»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Carvalho, Miguel,  VISÃO,http://visaoonline.clix.pt/paginas/conteudo.asp?CdConteudo=36097&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-110059706314366928?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/110059706314366928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=110059706314366928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110059706314366928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110059706314366928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/11/o-medo-vai-ter-tudo_16.html' title='O medo vai ter tudo'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-110060104674513171</id><published>2004-11-11T07:30:00.000Z</published><updated>2004-11-16T10:32:54.840Z</updated><title type='text'>Bush + 4 anos</title><content type='html'>&lt;div style="FLOAT: right; MARGIN-BOTTOM: 10px; MARGIN-LEFT: 10px"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1236264/"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid" alt="" src="http://www.flickr.com/photos/1236264_66b9a3c69d_m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="MARGIN-TOP: 0px;font-size:0;" &gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1236264/"&gt;Bush + 4 anos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-110060104674513171?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/110060104674513171/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=110060104674513171' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060104674513171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110060104674513171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/11/bush-4-anos_11.html' title='Bush + 4 anos'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109886650854153270</id><published>2004-10-27T09:41:00.000+01:00</published><updated>2004-10-27T09:41:48.540+01:00</updated><title type='text'>GUERRA?</title><content type='html'>&lt;div style="float: right; margin-left: 10px; margin-bottom: 10px;"&gt; &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1086643/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://www.flickr.com/photos/1086643_7dd4bc949f_m.jpg" alt="" style="border: solid 2px #000000;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-size: 0.9em; margin-top: 0px;"&gt;  &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1086643/"&gt;aristide1&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;  Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109886650854153270?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109886650854153270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109886650854153270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109886650854153270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109886650854153270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/guerra.html' title='GUERRA?'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109886573628746942</id><published>2004-10-27T09:24:00.000+01:00</published><updated>2004-10-27T09:28:56.286+01:00</updated><title type='text'>A fábrica dos desejos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“A actividade publicitária está actualmente tão próxima da perfeição que será difícil trazer-lhe melhorias"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Samuel Johnson, 1759&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariamente às ideias aceites, a publicidade e as suas artimanhas são antigas (1). Desde o século XII, pregoeiros ajuramentados percorriam o interior das cidades divulgando alto e bom som regulamentos ou avisos diversos. No século XVIII, com a invenção da litografia, nasce o cartaz publicitário que cedo cobre paredes e paliçadas. Mas é no século XIX que a máquina levanta voo. A publicidade torna-se um mercado e tenta rapidamente colonizar as páginas dos jornais.&lt;br /&gt;“ Já em 1836, Emile Girardin tem a ideia de lançar o seu jornal diário de grande tiragem La Presse, abrindo-o aos anúncios comerciais. Em 1832, Charles Havas criou a primeira agência de informação internacional,  que não tarda em ter também espaços publicitários. Em 1865, os pequenos anúncios representam já um terço do espaço dos jornais (2)”.  No virar do século, as grandes firmas saídas da revolução industrial têm necessidade de criar um mercado de massas e cultivar uma procura não organizada. Visto que nada há de “natural” no fenómeno do consumo massificado. Trata-se de uma construção cultural e social.&lt;br /&gt;Já em 1892, por exemplo, a Coca-Cola se dota de um dos principais orçamentos publicitários do mundo. E em 1912,  a divisão dos investimentos publicitários da firma é a seguinte: 300 000 dólares de anúncios na imprensa, 1 milhão de calendários, 2 milhões de cinzeiros, 5 milhões de painéis litográficos, 10 milhões de caixas de fósforos com as cores da Coca-Cola (3)... Já nesta época, os dirigentes desta firma concebem a publicidade tendo em consideração o maior número possível de compradores potenciais. “A repetição, declara um deles,  pode superar tudo. Uma gota de água acabará por atravessar um rochedo  Se vos acertar em cheio e sem parar, o prego cravar-se-á na cabeça (4)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mensagens subliminares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O século XX, com a multiplicação dos media eléctricos (cinema, rádio), electrónicos (televisão) e numéricos (Internet), viu não somente a explosão da publicidade, mas também a sua sofisticação. A ambição de manipular os espíritos, no interior das próprias residências, elevou-se quase ao nível de uma ciência. As técnicas de persuasão não cessaram de se refinar para vencer a barreira da “agitação”, derrubar a nossa desconfiança e vir cravar no nosso espírito uma mensagem muito precisa.&lt;br /&gt;Estima-se actualmente que, nos países desenvolvidos, o metralhar publicitário tem mais de 2 500 impactos por pessoa e por dia. A televisão francesa, juntando todos os canais, difundiu, em 1999, mais de 500 000 anúncios... Nestas condições, uma mensagem publicitária tem forçosamente poucas hipóteses de ser percebida. Um inquérito confirmou que 85% do conjunto das mensagens publicitárias que alcançam um auditório não o atingem. Dos 15% restantes, 5% provocam efeitos contrários (“efeito boomerang”) aos que se procurava obter. E somente 10% agem, em princípio, positivamente. É ainda necessário saber que estes 10% se reduzem, ao fim de 24 horas, por esquecimento, a simplesmente 5%. O desperdício atinge portanto 95% das mensagens publicitárias emitidas!&lt;br /&gt;Como procede então a publicidade para nos atingir? Alguns imaginaram uma mensagem reduzida a uma só imagem cujo efeito seria considerável. Um tal procedimento, chamado de imagem subliminar, torna a publicidade imperceptível. Inserindo uma imagem parasita entre as 24 que desfilam por segundo no cinema (25 na televisão), a persistência retiniana não se produz. O olho vê e o cérebro é informado, mas abaixo do limite da consciência. Por efeito subliminar  (do latim sub limen, sob o limite).&lt;br /&gt;Consideradas como ilegais, estas imagens subliminares atormentam o espírito de muitos cidadãos (5). Em França, em 1988, após a vitória eleitoral de François Mitterrand, o jornal Le Quotidien de Paris censurava este candidato por ter beneficiado do efeito oculto de “imagens subliminares” contidas no genérico do jornal televisivo do segundo canal (na altura Antena 2). Foi intentado um processo por “manipulação eleitoral”. Os queixosos perderam o processo. Mas a CNCL, antepassado do actual Conselho Superior do Audiovisual (CSA), decidiu interditar toda a utilização deste tipo de imagens.&lt;br /&gt;Em Maio de 2000, uma associação, nos Estados Unidos, acusou o filme Battlefield Earth, adaptado de um romance de Ron L. Hubbard, fundador da Igreja de Cientologia, e interpretado por John Travolta, de “conter imagens subliminares” para favorecer a conversão do público.&lt;br /&gt;Em Setembro de 2000, no decurso da campanha presidencial, o candidato republicano George W. Bush teve de admitir que um anúncio produzido pela sua equipa continha uma imagem subliminar. Este anúncio referia-se ao programa do seu adversário democrata Al Gore. Em sobre-impressão sobre a imagem deste candidato aparecia primeiro a frase: “The Gore Prescription Plan: Bureaucrats Decide”. Depois sobre um fundo negro, esta frase via as quatro últimas letras da palavra “bureaucrats” separarem-se e virem inscrever-se, uma fracção de segundo, em maiúsculas, “RATS”, sobre todo o ecrã (6).  Perseguido pelos media, Bush teve que se resignar a tirar o anúncio da sua campanha.&lt;br /&gt;Na publicidade que se considera uma arte de persuadir, cada mensagem é muito elaborada. Antes da difusão, por exemplo, uma imagem é por vezes submetida ao teste chamado de “eye camera”: regista-se, num espectador-cobaia que olha a imagem, por câmara invisível, o movimento dos olhos, a actividade das pupilas. Multiplicando estes testes, pode-se determinar estatisticamente o percurso do olho; o que é visto em primeiro, o que lhe escapa. Tudo isso procede de um trabalho de pesquisa fruto da colaboração de especialistas pertencentes a diferentes disciplinas: sociólogos, psicólogos, semiólogos, linguistas, gráficos, decoradores.&lt;br /&gt;Uma tal conjugação de peritos fez Marshall McLuhan dizer: “Não existe equipa de sociólogos capaz de rivalizar com as equipas de publicitários na pesquisa e utilização de dados sociais exploráveis. Os publicitários destinam todos os anos milhares de milhões de dólares para a pesquisa e exame das reacções do público e a sua produção é uma extraordinária acumulação de dados sobre a experiência e os sentimentos comuns de toda a sociedade (7)”.&lt;br /&gt;As crianças são um alvo privilegiado. Segundo uma estimativa do Sindicato Nacional da Publicidade Televisiva, os anunciantes despenderam, em França, em 1999, mais de 1 milhar de milhões de francos em anúncios destinados às crianças com menos de 14 anos. O Instituto da Criança estima que cerca de 45% do consumo familiar (cerca de 500 a 600 mil milhões de francos por ano) é mais ou menos directamente influenciado pelos desejos infantis. “A opinião dos de 4 a 10 anos incide sobretudo sobre a alimentação, a confeitaria, o têxtil ou os brinquedos, refere Joel-Yves Le Bigot, presidente deste Instituto, mas eles influenciam também 18% das compras de veículos e 40% da escolha dos locais de férias (8)”.&lt;br /&gt;A publicidade promete sempre a mesma coisa: o bem-estar, o conforto, a eficácia, a felicidade, o sucesso. Faz cintilar uma promessa de satisfação. Vende sonhos, propõe pequenos símbolos para uma rápida ascensão social. Fabrica desejos e apresenta um mundo em férias permanentes, descontraído, sorridente e negligente, povoado de personagens felizes e enfim possuidoras do produto-milagre que as tornará bonitas, prósperas, livres, saudáveis, desejadas, modernas...&lt;br /&gt;A publicidade vende tudo a todos indiscriminadamente, como se a sociedade de massas fosse uma sociedade sem classes. “Face a um mundo angustiante, que a televisão apresenta a todos, afirma o semiólogo Louis Quesnel, a publicidade evoca um mundo ideal, purificado de toda a tragédia, sem países subdesenvolvidos, sem bomba nuclear, sem explosão demográfica, e sem guerras. Um mundo inocente, cheio de sorrisos e luzes, optimista e paradisíaco (9)”.&lt;br /&gt;Por acumulação, os anúncios repetem e tornam plausíveis os grandes mitos do nosso tempo: modernidade, juventude, felicidade, tempo-livre, abundância... A mulher, por exemplo, continua encarcerada numa palavra que, muito frequentemente, apenas a reconhece como um objecto de prazer ou uma personagem doméstica. É perseguida e culpabilizada, tornada responsável pela sujidade da casa ou da roupa, pela deterioração da sua pele e do seu corpo, pela saúde das crianças e asseio dos seus rabinhos, pelo estômago do marido e pelas economias do lar. No escritório ou na cozinha, numa praia ou sob o duche, a sua dependência não varia: continua escrava do olhar do chefe, o homem julgá-la-á  faça o que fizer e,  mesmo se ela se “liberta” pelo seu trabalho no exterior, ele vigiará o bronzeado da sua pele, o odor das suas axilas, o brilho dos seus cabelos, a frescura do seu hálito, o relevo do seu “soutien” ou a cor dos seus “collants”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impotência da liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigo activista contra a Guerra do Vietname, William Zimmermann considerava que não era preciso ter vergonha em utilizar a publicidade para se fazer perceber: “Hoje, a classe progressista americana não tem outra escolha: ser destruída pelo sistema ou, o que nós por fim compreendemos, destruí-lo utilizando as suas próprias armas (10)”. Isto não é, bem entendido, assim tão simples. Pois que o princípio da publicidade é o de tudo reciclar. A este respeito viu-se recentemente símbolos como a foice e o martelo (Self-Trade), ou grandes líderes revolucionários como Marx (o banco UFF), Lénine (LibertySurf), Mao (banco UFF), Zapata (LibertySurf) ou Che Guevara (LibertySurf) servirem de actores secundários em anúncios para elogiar a “revolução” Internet...&lt;br /&gt;A este respeito, Frederic Beigbeder observa: “Os ditadores de outrora,   temendo a liberdade de expressão, censuravam a contestação, encarceravam os escritores, queimavam os livros controversos. (...) Para reduzir a Humanidade à escravatura, a publicidade escolheu o low-profile, a astúcia, a persuasão. Vivemos no primeiro sistema de domínio humano contra o qual a própria liberdade é impotente. Pelo contrário, o sistema baseia-se na liberdade, esse é o seu maior achado. Qualquer  crítica lhe assenta bem, qualquer panfleto reforça a ilusão da sua tolerância . Subjuga-vos igualmente. O sistema atingiu o seu objectivo: mesmo a desobediência se torna uma forma de obediência (11)”.&lt;br /&gt;Estruturalmente redutora, a publicidade oferece uma visão condensada, esquemática e  simples da vida. Recruta voluntários estereotipados para nos ditar os nossos desejos. E faz-nos aceitar a nossa própria escravidão.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;RAMONET, Ignacio,"A fábrica dos desejos", Le Monde Diplomatique,Maio de 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109886573628746942?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109886573628746942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109886573628746942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109886573628746942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109886573628746942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/fbrica-dos-desejos.html' title='A fábrica dos desejos'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109886490858632904</id><published>2004-10-27T09:10:00.000+01:00</published><updated>2004-10-27T09:15:08.586+01:00</updated><title type='text'>Manicómio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tempos do medo. Vive o mundo em estado de terror, e o terror disfarça-se: diz ser obra de Saddam Hussein, um actor já cansado de tanto trabalhar de inimigo, ou de Osama bin Laden, assustador profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o verdadeiro autor do pânico planetário chama-se &lt;strong&gt;Mercado&lt;/strong&gt;. Este senhor não tem nada a ver com o estranho lugar do bairro que nos acode em busca de frutas e verduras. É um todo-poderoso terrorista sem rosto, que está em todas as partes, como Deus, e crê ser, como Deus, eterno.  Os seus numerosos intérpretes anunciam: "O mercado está nervoso" e advertem: "Não há de irritar o Mercado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O seu frondoso portuário criminal fá-lo temível. Passou a vida roubando comida, assassinando empregos, sequestrando países e fabricando guerras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para vender as suas guerras, o Mercado semeia medo. E o medo cria clima. A televisão ocupa-se de que as torres de Nova Iorque voltem a cair todos os dias. O que restou do pânico do antrax? Não só uma investigação oficial, que pouco ou nada averiguou sobre aquelas cartas mortais: também restou um espectacular aumento do orçamento militar dos Estados Unidos. E os milhões que esse país destina à indústria da morte não é brincadeira. Apenas um mês e meio desses gastos bastaria para acabar com a miséria no mundo, se não mentem os numerozinhos das Nações Unidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez que o Mercado dá ordem, a luz vermelha de alarme pisca no perigosímetro, a máquina que converte toda a suspeita em evidência. As guerras preventivas matam pelas dúvidas, não pelas provas. Agora é a vez do Iraque. Outra vez esse castigado país foi condenado. Os mortos saberão compreender: O Iraque contém a segunda reserva mundial de petróleo, que é precisamente aquilo de que o Mercado precisa para assegurar combustível ao esbanjamento da sociedade de consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espelho, espelhinho: quem é o mais temido? As potências imperiais monopolizam, por direito natural, as armas de destruição massiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos da conquista da América, enquanto nascia isso que agora chamam de Mercado global, a varíola e a gripe mataram muitos mais indígenas que a espada e o arcabuz. A bem sucedida invasão europeia teve muito que agradecer às bactérias e os vírus. Séculos depois, esses aliados providenciais converteram-se em armas de guerra, nas mãos das grandes potências. Um punhado de países monopoliza os arsenais biológicos. Há duas décadas, os Estados Unidos permitiram que Saddam Hussein lançasse bombas de epidemias contra os curdos, quando ele era um mimado do Ocidente e os curdos tinham má impressão, mas essas armas bacteriológicas haviam sido feitas com linhagens compradas a uma empresa de Rockville, em Maryland.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em matéria militar, como todo o demais, o Mercado predica a liberdade, mas não gosta nem um bocadinho da competição. A oferta concentra-se nas mãos de poucos, em nome da segurança universal. Saddam Hussein mete muito medo. Apavora o mundo. Tremenda ameaça: o Iraque podería voltar a usar armas bacteriológicas e, muito mais grave ainda, poderia chegar a ter armas nucleares. A humanidade não pode permitir esse perigo, proclama o perigoso presidente do único país que usou armas nucleares para assassinar população civil. Terá sido o Iraque quem exterminou os velhos, mulheres e crianças de Hiroshima e Nagasaki?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paisagem do novo milênio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gente que não sabe se amanhã encontrará o que comer, ou se ficará sem tecto, ou como fará para sobreviver se adoecer ou sofrer um acidente;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gente que não sabe se amanhã perderá o emprego, ou se será obrigada a trabalhar o dobro em troca de metade, ou se a sua reforma será devorada pelos lobos da bolsa ou pelos ratos da inflação;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cidadãos que não sabem se amanhã serão assaltados na esquina, ou se lhes tomarão a casa, ou se algum desesperado lhes meterá uma faca na barriga;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;camponeses que não sabem se amanhã terão terra para trabalhar e pescadores que não sabem se encontrarão rios ou mares não envenenados ainda;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pessoas e países que não sabem como terão amanhã dinheiro para pagar as suas dívidas multiplicadas pela usura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão obras da Al Qaeda estes terrores quotidianos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia comete atentados que não vêm nos jornais: cada minuto mata de fome 12 crianças. Na organização terrorista do mundo, que o poder militar custodia, há um bilião de famintos crónicos e seiscentos milhões de gordos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moeda forte, vida frágil: o Equador e El Salvador adoptaram o dólar como moeda nacional, mas a população foge. Nunca esses países haviam produzido tanta pobreza e tantos emigrantes. A venda de carne humana ao estrangeiro gera desterro, tristeza e divísas. Os equatorianos obrigados a procurar trabalho noutra parte enviaram para o seu país, no ano de 2001, uma quantidade de dinheiro que supera a soma das exportações de banana, camarão, atum, café e cacau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o Uruguai e a Argentina expulsam os seus filhos mais jovens. Os emigrantes, netos de imigrantes, deixam as suas famílias despedaçadas e memórias que doem. "Doutor, partiram-me a alma': em que hospital se cura isso? Na Argentina, um concurso de televisão oferece, todo dia, o prémio mais cobiçado: um emprego. As filas são imensas. O programa elege os candidatos, e o público vota. Consegue trabalho o que mais lágrimas derrama e mais lágrimas arranca. A Sony Pictures está a vender  esta fórmula de sucesso em todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que emprego? O que vier. Por quanto? Por quanto seja e como seja. O desespero dos que buscam trabalho, e a angústia dos que temem perdê-lo, obrigam a aceitar o inaceitável. Em todo o mundo se impõe "o modelo Wal-Mart". A empresa número um dos Estados Unidos proíbe os sindicatos e estica os horários sem pagar horas extras. O mercado exporta o seu lucrativo exemplo. Quanto mais doridos estão os países, mas fácil se torna converter o direito trabalhista em papel molhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais fácil se torna, também, sacrificar outros direitos. Os pais do caos vendem a ordem. A pobreza e a desocupação multiplicam a delinquência, que difunde o pânico, e nesse caldo de cultivo floresce o pior. Os militares argentinos, que muito sabem de crimes, estão a ser convidados a combater o crime: que venham  salvar-nos da delinquência, clama a gritos Carlos Menem, um funcionário do Mercado que de delinquência sabe muito porque a exerceu como ninguém quando foi presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custos baixíssimos, ganhos mil, controles zero: um barco petroleiro  parte-se pela metade e a mortífera maré negra ataca as costas da Galíza e mais além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio mais rentável do mundo gera fortunas e desastres "naturais". Os gases venenosos que o petróleo lança ao ar são a causa principal do buraco do ozono, que já tem o tamanho dos Estados Unidos, e da loucura do clima. Na Etiópia e em outros países africanos, a seca está a  condenar milhões de pessoas à pior fome dos últimos vinte anos, enquanto que na Alemanha e outros países europeus sofrem inundações que foram a pior catástrofe do último meio século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o petróleo gera guerras. Pobre Iraque.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO,Eduardo,"Manicómio"Brecha, Montevidéu,2003.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109886490858632904?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109886490858632904/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109886490858632904' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109886490858632904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109886490858632904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/manicmio.html' title='Manicómio'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109956260666968374</id><published>2004-10-27T00:42:00.000+01:00</published><updated>2004-11-04T10:04:58.966Z</updated><title type='text'>idiot-talk</title><content type='html'>&lt;div style="FLOAT: right; MARGIN-BOTTOM: 10px; MARGIN-LEFT: 10px"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1256785/"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid" alt="" src="http://www.flickr.com/photos/1256785_f75d3c645f_m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="MARGIN-TOP: 0px;font-size:0;" &gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1256785/"&gt;idiot-talk&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109956260666968374?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109956260666968374/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109956260666968374' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109956260666968374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109956260666968374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/idiot-talk.html' title='idiot-talk'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109877929730520482</id><published>2004-10-26T09:24:00.000+01:00</published><updated>2004-10-26T09:28:17.306+01:00</updated><title type='text'>"A cabala involuntária"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;   O caso Rui Gomes da Silva continua a fascinar-nos. Há algo de tão invulgar e surpreendente na personagem que nós não acreditamos que possa ser apenas aquilo que está diante dos nossos olhos. Deverá existir uma armadilha, um alçapão, um truque escondido, que explique aquele comportamento obtuso. Afinal de contas, por muito fortes que sejam os laços de amizade, ninguém chega a ministro com um tal grau de aparente indigência mental. Tem de haver outra coisa.&lt;br /&gt;   É óbvio que Gomes da Silva executa uma tarefa de assassino profissional por conta do primeiro-ministro Santana Lopes. O primeiro-ministro abre os braços, num gesto de comovida inocência, e declara: "Eu? De modo algum, não é possível, eu até estava a dormir a sesta..." Entretanto, embuçado na sua personalidade se samurai de serviço, Gomes da Silva executa. É aqui que se coloca a pergunta: executa mal para que não se pense que ele acredita no que está a fazer, ou executa mal porque não é capaz de executar melhor? Como justificar uma "performance" tão canhestra?&lt;br /&gt;   O depoimento prestado à Alta-Autoridade por Gomes da Silva foi de tal modo desastroso que tudo parece levar a pensar que ele só pode fazer de propósito. Ninguém é tonto tantas vezes. Há um Guiness para estas coisas. Gomes da Silva acha que é um político (se a política fosse isto, melhor seria o suicídio) respondendo a outro político. Ninguém explicou a Gomes da Silva que, tendo sido bafejado pela sorte de ser membro do Governo, é como membro do Governo que fala, e deste modo compromete todo o Governo. Dar-se-á conta de que andam membros do Governo encostados às paredes para que não os associem a tais alarvices? Um membro do Governo não pode dizer certas coisas sem que isso tenha consequências que, se ele fosse um mero político, não existiriam. Donde, dizer que não há fundamento que legitime a relação entre o que a infeliz personagem disse e a atitude da TVI é totalmente ridículo: nunca uma pressão foi tão descarada. Não pode ser negada porque milhões de portugueses a viram: sequência é consequência.&lt;br /&gt;   Que Marcelo dizia "inverdades" (admirável expressão que ainda ninguém distinguiu de "mentiras") e Gomes da Silva explica quais foram: a formação deste Governo foi uma manta de retalhos (até Santana Lopes sabe que foi); "há falta de coordenação" (o que é tão óbvio que levou o primeiro-ministro, num gesto inédito, a dizer que coordenava); que o primeiro-ministro não tem perfil (até Durão Barroso sabe que não); que o Governo foi desastroso no caso da Galp (o que se mete pelos olhos dentro). Se estas são as tais "inverdades", Gomes da Silva está lélé da cuca.&lt;br /&gt;   Achando que era pouco, Gomes da Silva foi mais longe e conseguiu enriquecer mais uma vez o léxico português. Já se lhe devia o "contraditório", motivo de gáudio em toda a parte. Temos agora essa espantosa aberração semântica que é "uma cabala involuntária". Alguém teve a caridade de explicar a Gomes da Silva o que significa a palavra "cabala"? Não será melhor arranjarem um assessor de português? Mais um, menos um, não é por aí que desequilibramos as contas do Orçamento Geral do Estado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;COELHO, Eduardo Prado,"A Cabala involuntária", Público,21 de Outubro de 2004&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109877929730520482?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109877929730520482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109877929730520482' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109877929730520482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109877929730520482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/cabala-involuntria.html' title='&quot;A cabala involuntária&quot;'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109843567757020301</id><published>2004-10-22T10:01:00.000+01:00</published><updated>2004-11-04T10:02:26.486Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="FLOAT: right; MARGIN-BOTTOM: 10px; MARGIN-LEFT: 10px"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/993227/"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid" alt="" src="http://www.flickr.com/photos/993227_50da00a505_m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="MARGIN-TOP: 0px;font-size:0;" &gt;&lt;br /&gt;Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109843567757020301?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109843567757020301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109843567757020301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109843567757020301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109843567757020301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/originally-uploaded-by-ursopolaco_22.html' title=''/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109877988531075827</id><published>2004-10-22T09:30:00.000+01:00</published><updated>2004-10-26T09:38:05.310+01:00</updated><title type='text'>"A Estratégia da Aranha"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O episódio da sesta do primeiro-ministro não é um "fait-divers" ridículo, mas sim um revelador eloquente do estilo de fazer política de Santana Lopes, onde a aparência é tudo e a essência dispensável. Foi assim que ele governou Lisboa, é assim que ele se propõe governar o país. Aparentemente, é apenas ridículo que o gabinete do primeiro-ministro divulgue uma nota oficiosa para desmentir que ele, ao contrário do que noticiou o "Expresso", não fez uma sesta em S. Bento entre o debate parlamentar de quinta-feira passada e a sua presença na Moda Lisboa. Ridículo, porque ninguém, cá fora, pode evidentemente saber se o primeiro-ministro dormiu ou não dormiu uma sesta - o que torna o desmentido totalmente inóquo; ridículo, sobretudo, porque ninguém se interessa com o assunto ou lhe dá o significado e a importância política que o próprio Santana Lopes lhe deu.&lt;br /&gt;E se Santana Lopes deu tanta importância a que o país ficasse a saber que ele não tinha dormido uma sesta é apenas porque não ignora que o país que lê o "Expresso" conhece de há muito a sua fama de trabalhar pouco e preparar mal os assuntos. Sá Carneiro, o primeiro-ministro cuja figura Santana Lopes gosta de invocar a propósito e a despropósito, teve sempre o grande mérito de não ligar à imagem que as pessoas faziam dele, mas sim à avaliação que faziam do seu trabalho: de todos os primeiros-ministros que acompanhei, enquanto jornalista, foi de longe aquele que menos se preocupou em governar com e para os "media" ou para a construção de uma imagem pessoal. O seu autodesignado discípulo é o oposto: a sua obsessão com a imagem e a propaganda está na razão inversa da sua preocupação e da sua competência com a governação. Em Lisboa, deixou a câmara arruinada, sem ter uma única obra que possa dizer sua, mas, em contrapartida, multiplicou por cinco as verbas reservadas a publicidade, gastas em coisas ridículas como aqueles célebres cartazes da série "Já reparou que...?" No Governo do país, prepara-se para avançar com a tal Central de Propaganda, confiada a Morais Sarmento, e cujo custo anunciado é de dois milhões de euros. Entre os assessores de imprensa e de imagem ao serviço da tal central, ao serviço do primeiro-ministro e ao serviço dos vários ministros, é provável que se chegue à centena de pessoas contratadas unicamente para propagandear a acção do Governo - ou seja, para desinformar os cidadãos.&lt;br /&gt;Esta fixação na importância da propaganda e no tratamento da própria imagem - que caracteriza todo o percurso político de Santana Lopes - não implica, necessariamente, que ele seja por igual um inimigo da liberdade de imprensa. Honestamente, não creio que Santana Lopes gostasse de viver num regime como o do seu amigo Jardim, na Madeira, onde as condições de igualdade do debate político e de isenção da imprensa são objectivamente impossíveis. Santana Lopes é, por essência, um orador e um debatente, a quem a ausência de adversário conduz fatalmente à ausência de brilho, por falta de ideias próprias - como bem se viu nos tempos, ainda recentes, em que ele era um comentador solitário da SIC, se sem o tal "contraditório", que agora reclama e que então se esqueceu de reclamar.&lt;br /&gt;Só que uma coisa é estar na oposição, ou mais ou menos na oposição, e outra é estar no poder. E se o poder é perigoso e cega a todos, é especialmente perigoso para pessoas como Santana Lopes, que vivem da construção de uma imagem e de uma ficção. No poder, a sua fatal tendência é deixar de ver a imprensa - que sempre lhe deu asas para voar e para a construção do mito - como o adversário em relação ao qual ele sente a necessidade de ser oposição. Cá fora, a liberdade de imprensa foi-lhe sempre essencial; lá dentro, sente-a como uma ameaça, um adversário a combater. Por necessidade e por vaidade.&lt;br /&gt;Daí até à tentação de acrescentar à propaganda própria o silenciamento das vozes incómodas vai um passo, não tão pequeno quanto ele próprio se dará conta. E vários pequenos passos na direcção do grande passo têm vindo a ser dados por este Governo. São os discursos coincidentes contra os não-alinhados do PSD-Porto, do dr. Jardim e do infeliz e desnudado ministro Rui Gomes da Silva, verdadeira "voz do dono" de todos os tempos e situações; foi o "take-over" sobre a Lusomundo, implicando, de um só golpe, o controlo editorial do "Diário de Notícias", "Jornal de Notícias", "24 Horas", TSF e "Grande Reportagem", entre outros; foi o controlo da Lusa, a única agência de notícias nacional; foi o episódio do afastamento de Marcelo da TVI ("saída", corrigiu a Lusa...); foram as manobras ensaiadas para diversas decapitações de chefias na imprensa, travadas momentaneamente pelo escândalo do caso Marcelo; foram as reveladoras declarações do ministro Morais Sarmento, reclamando o controlo da RTP em nome do "poder que vai a votos".&lt;br /&gt;Tudo coincide e não há que ter ilusões. O processo está em curso, a intimidação e o medo estão instalados e o objectivo claro é garantir a reeleição deste Governo, não pelos seus méritos, mas pela propaganda maciça, e com menos "contraditório" quanto possível dos seus supostos ou reais méritos. É a "italianização" da vida política portuguesa, umas vezes feita subtilmente, outras vezes com a falta de jeito que caracteriza os ministros Gomes da Silva ou Morais Sarmento. A teia vai-se tecendo e não dispensa coisas tão rasteiras como o suborno de jornalistas e de chefias, os "avisos de amigos" ou as soluções finais de silenciamento e afastamento, quando nada mais resulta. Acreditem: sei do que falo, conheço esta gente e os seus métodos, sei o que os move e aquilo de que são capazes.&lt;br /&gt;P.S. - Uma das coisas que caracterizam as pessoas sem coragem é estarem sempre prontas para exigir aos outros o triplo da coragem de que eles não dão mostras. É o caso do lastimável jornalista António Ribeiro Ferreira, do "Diário de Notícias". A propósito da minha situação na TVI (que só a mim me diz respeito), escreveu ele isto: "Miguel Sousa Tavares tem a certeza de que Marcelo Rebelo de Sousa saiu da TVI por pressão do Governo. Mesmo assim continua comentador. Que saudades de Francisco Sousa Tavares."&lt;br /&gt;Passo por cima da clássica tentativa de ofensa familiar, bem característica, por exemplo, dos antigos métodos da Pide, apenas dizendo, sobre isso, que conheci bem o meu pai e sei que, perante as pressões políticas, a sua atitude foi sempre, e seria agora, a de resistir e não a de desistir, baixando os braços e entregando a cena aos Ribeiros Ferreira, sempre prontos a servir. Tal como disse na TVI, não tenho dúvidas - e essa foi uma das razões para continuar - de que muitos como ele, e o próprio Governo, adorariam que também eu me calasse. Mas - coisa que não é muito comum nos tempos que correm - toda a redacção da TVI, o seu director-geral e eu próprio denunciámos no ecrã da própria estação o acto objectivo de saneamento político de Marcelo Rebelo de Sousa e a vontade de resistir e de não entregar de mão beijada ao Governo os célebres "conteúdos", que somos nós próprios. Entendi que a minha obrigação era ser solidário com os que fazem a TVI e não a de fazer a vontade aos que a querem controlar de fora. Infelizmente, não vi nenhum jornalista do "Diário de Notícias", e designadamente António Ribeiro Ferreira, ousar sequer um suspiro público de protesto quando o administrador da empresa proprietária do jornal, Henrique Granadeiro, foi convenientemente substituído pelo mais adequado Luís Delgado. É próprio dos que calam e consentem exigir aos outros tudo aquilo de que não são capazes e nunca ficarem satisfeitos. Como se assim pudessem ser desculpados.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;TAVARES, Miguel de Sousa, "A  Estratégia da Aranha", Público, 22 de Outubro de 2004&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109877988531075827?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109877988531075827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109877988531075827' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109877988531075827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109877988531075827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/estratgia-da-aranha.html' title='&quot;A Estratégia da Aranha&quot;'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109843329335360970</id><published>2004-10-22T09:17:00.000+01:00</published><updated>2004-10-22T09:21:33.353+01:00</updated><title type='text'>Os Direitos dos trabalhadores: um tema para arqueólogos?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;   &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mais de noventa milhões de clientes vão semanalmente às lojas da Wal-Mart. Os seus mais de novecentos empregados são proibidos de filiar-se em qualquer sindicato. Quando algum deles pensa em sindicalizar-se, passa a ser um desempregado a mais. A bem-sucedida empresa nega sem dissimulação um dos direitos humanos proclamados pela Organização das Nações Unidas: a liberdade de associação. Sam Walton, o fundador da Wal-Mart, recebeu em 1992 a Medalha da Liberdade, uma das mais altas condecorações dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;   Um em cada quatro adultos norte-americanos, e nove em cada dez crianças, engolem no McDonald’s a comida de plástico que os engorda e torna obesos. Os trabalhadores da McDonald’s são tão desprezados como a comida que servem: cortados pela mesma máquina, eles também não têm direito de sindicalização.&lt;br /&gt;   Na Malásia, onde os sindicatos operários ainda existem e actuam, as empresas Intel, Motorola, Texas Instruments e Hewlett Packard conseguiram evitar essa doença. O governo da Malásia declarou "união livre", livre de sindicatos o sector electrónico.&lt;br /&gt;   Também não tinham nenhuma possibilidade de sindicalizar-se as mais de cento e noventa operárias que morreram queimadas na Tailândia, em 1993, no barracão trancado por fora onde fabricavam os bonecos da Rua Sésamo, Bart Simpson e os Muppets.&lt;br /&gt;   George Bush Jr. e Al Gore coincidiram, durante a campanha eleitoral do ano passado, na necessidade de seguir impondo ao mundo o modelo norte-americano de relações trabalhistas. "Nosso estilo de trabalho", como ambos o chamaram, é o que está marcando os passos da globalização que avança com botas de sete léguas e penetra até nas mais remotas terras do planeta.&lt;br /&gt;   A tecnologia que aboliu distâncias, agora permite que um operário da Nike na Indonésia tenha que trabalhar 100 mil anos para ganhar o que ganha, num ano, um executivo da Nike nos Estados Unidos, e que um operário da IBM nas Filipinas fabrique computadores que ele jamais poderá comprar.&lt;br /&gt;   É a continuação da época colonial, numa escala jamais conhecida. Os pobres do mundo seguem cumprindo as suas funções tradicionais: proporcionam braços baratos e produtos baratos, ainda que actualmente fabriquem bonecos, ténis, computadores ou instrumentos de alta tecnologia, além de produzir, como antes, arroz, café, açúcar e outras coisas malditas para o mercado mundial.&lt;br /&gt;   Desde 1919 foram assinados 183 acordos internacionais que regulam as relações de trabalho em todo o mundo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), desses 183 acordos, a França ratificou 115, a Noruega 106, a Alemanha 76 e os Estados Unidos...catorze. O país que encabeça o processo de globalização só obedece às suas próprias ordens. Dessa forma, garante suficiente impunidade para as suas grandes corporações lançadas à caça de mão-de-obra barata e à conquista de territórios que as indústrias sujas podem contaminar a seu bel-prazer. Paradoxalmente, esse país que não reconhece outra lei além da lei do trabalho fora da lei, é o que agora diz que não haverá outra saída senão incluir "cláusulas sociais" e de "protecção ambiental" nos acordos de livre comércio. O que seria da realidade sem a publicidade que a mascára?&lt;br /&gt;Essas cláusulas são meros impostos que o vício paga à virtude com o rótulo de relações públicas. Mas a simples menção dos direitos dos trabalhadores arrepiam os cabelos dos mais fervorosos advogados do salário de fome, da carga horária esticada ao máximo e da demissão livre. Desde que Ernesto Zedillo deixou a presidência do México, ele passou a integrar as direções da Union Pacific Corporation e do consórcio Procter &amp; Gamble, que opera em 140 países. Além disso, Zedillo chefia uma comissão das Nações Unidas e difunde os seus pensamentos através da revista Forbes. Em idioma tecnocrático, indigna-se contra a "imposição de acordos colectivos de trabalho nos novos acordos comerciais". Traduzindo: vamos deitar ao lixo toda a legislação internacional que ainda protege os trabalhadores. O presidente aposentado cobra para pregar a escravidão. Porém, o principal executivo da General Motors diz mais claramente: "Para competir é necessário espremer os limões". Os factos são factos.&lt;br /&gt;   Diante as denúncias e os protestos, as empresas lavam as mãos: eu não fui. Na indústria pós-moderna, o trabalho já não está concentrado. Os subcontratados fazem 75% das partes dos automóveis da Toyota. De cada cinco operários da Volkswagen no Brasil, só um é empregado da empresa. Dos 81 operários da Petrobras mortos em acidentes de trabalho nos últimos três anos, 66 estavam ao serviço de empresas subcontratadas que não cumprem normas de segurança. Através de 300 empresas subcontratadas a China produz  metade de todas as bonecas Barbie para as meninas do mundo. Na China, sim, há sindicatos, mas eles obedecem a um Estado que em nome do socialismo se ocupa da disciplina da mão-de-obra. "Nós combatemos a agitação operária e a instabilidade social para assegurar um clima favorável aos investidores", explicou recentemente Bo Xilai, secretário-geral do Partido Comunista.&lt;br /&gt;   O poder económico está mais monopolizado do que nunca, mas os países e as pessoas competem no que podem: vamos ver quem oferece mais em troca de menos; vamos ver quem trabalha o dobro em troca de metade. À beira do caminho estão a ficar os restos das conquistas arrancadas por dois séculos de lutas operárias em todo o mundo.&lt;br /&gt;   As plantas «maquilhadoras» do México, América Central e Caribe, que por algum motivo se chamam "sweat shops", crescem a um ritmo muito mais acelerado que a indústria no seu conjunto. Oito em cada dez novos empregos na Argentina estão sem nenhuma protecção legal. Nove em cada dez novos empregos na América Latina correspondem ao "sector informal", um eufemismo para dizer que os trabalhadores estão na mão de Deus. A estabilidade no emprego e os demais direitos dos trabalhadores serão, em breve, um tema para arqueólogos? Nada mais que recordações de uma espécie extinta?&lt;br /&gt;   No mundo ao avesso, a liberdade oprime: a liberdade do dinheiro exige trabalhadores presos no cárcere do medo, que é a maior prisão de todas as prisões. O deus-mercado ameaça e castiga, como já sabe qualquer trabalhador, em qualquer lugar. O medo do desemprego que serve para que os patrões reduzam os custos de mão-de-obra e multipliquem a produtividade é hoje em dia a fonte de angústia mais universal. Quem está livre do pânico de ser incluído nas longas filas dos que procuram trabalho? Quem não teme converter-se num "obstáculo interno", para dizer segundo as palavras do presidente da Coca-Cola que, há um ano e meio, explicou a demissão de milhares de trabalhadores dizendo "eliminamos os obstáculos internos"?&lt;br /&gt;   A última pergunta: diante da globalização do dinheiro, que divide o mundo entre domadores e domados, será possível internacionalizar a luta pela dignidade do trabalho? Pequeno desafio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, Os direitos dos trabalhadores:um tema para arqueólogos?, La Jornada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109843329335360970?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109843329335360970/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109843329335360970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109843329335360970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109843329335360970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/os-direitos-dos-trabalhadores-um-tema.html' title='Os Direitos dos trabalhadores: um tema para arqueólogos?'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109843296374548077</id><published>2004-10-22T09:09:00.000+01:00</published><updated>2004-10-22T09:16:03.746+01:00</updated><title type='text'>Nós Dizemos Não</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;    Em Julho de 1988, em plena ditadura do general Pinochet, 300 intelectuais e artistas participaram no "Chile Cria", um encontro internacional de arte, ciência e cultura pela democracia no Chile. Este é o discurso de inauguração, que Eduardo Galeano pronunciou em nome de todos os convidados.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;   "Viemos de diversos países, e estamos aqui, reunidos à sombra generosa de Pablo Neruda: estamos aqui para acompanhar o povo do Chile, que diz não. Nós também dizemos não.&lt;br /&gt;Dizemos não ao elogio do dinheiro e da morte. Dizemos não a um sistema que põe preço nas coisas e nas pessoas, onde quem mais tem é quem mais vale; dizemos não a um mundo que destina dois milhões de dólares por minuto para as armas de guerra enquanto mata, por minuto, 30 crianças, de fome ou doença curável. A bomba de neutrões, que salva as coisas e aniquila as pessoas, é um perfeito símbolo do nosso tempo. Para o sistema assassino que converte em objectivos militares as estrelas da noite, o ser humano não é nada mais do que um factor de produção e consumo e objecto de uso; o tempo não é outra coisa para além de um recurso económico; e o planeta inteiro, uma fonte de renda que deve render até a última gota do seu caldo. A pobreza é multiplicada para que a riqueza se possa multiplicar, e multiplicam-se as armas que garantem essa riqueza, riqueza de pouquinhos, e que mantém à margem a pobreza de todos os outros, e também se multiplica, enquanto isso, a solidão: nós dizemos não a um sistema que nega comida e nega amor, que condena muitos à fome de comida e muitos mais à fome de abraços.&lt;br /&gt;   Dizemos não à mentira. A cultura dominante, que os grandes meios de comunicação irradiam em escala universal, convida-nos a confundir o mundo com um supermercado ou uma pista de corrida, onde o próximo pode ser uma mercadoria ou um competidor, mas jamais um irmão. Essa cultura mentirosa, que grotescamente especula com o amor humano para lhe arrancar mais-valia, é na realidade a cultura da desvinculação : tem por deuses os ganhadores, os exitosos donos do dinheiro e do poder, e por heróis os "Rambos" fardados que cuidam das suas costas aplicando a Doutrina da Segurança Nacional. Pelo que diz e pelo que cala, a cultura dominante mente que a pobreza dos pobres não é um resultado da riqueza dos ricos, mas que é filha de ninguém, vinda no bojo de uma couve-flor ou da vontade de Deus, que fez os pobres preguiçosos e burros. Da mesma maneira, a humilhação de alguns homens provocada por outros não tem por que motivar a solidária indignação ou o escândalo, porque pertence à ordem natural das coisas: as ditaduras latino-americanas, por exemplo, fazem parte da nossa exuberante natureza e não do sistema imperialista de poder.&lt;br /&gt;   O desprezo transforma a história e mutila o mundo. Os poderosos fabricantes de opinião tratam-nos como se não existíssemos, ou como se fôssemos sombras tontas. A herança colonial obriga o chamado Terceiro Mundo, habitado por pessoas de terceira categoria, a aceitar como própria a memória dos seus vencedores, e obriga-o a compor a mentira alheia para a usar como se fosse a própria verdade. Premeiam a nossa obediência, castigam a nossa inteligência e desalentam a nossa energia criadora. Somos opinados, mas não podemos ser opinadores. Temos direito ao eco, não à voz, e os que mandam elogiam o nosso talento de papagaios. Nós dizemos não: nós negamo-nos a aceitar esta mediocridade como destino.&lt;br /&gt;   Nós dizemos não ao medo. Não ao medo de dizer, ao medo de fazer, ao medo de ser. O colonialismo visível proíbe dizer, proíbe fazer, proíbe ser. O colonialismo invisível, mais eficaz, convence-nos de que não se pode dizer, não se pode fazer, não se pode ser. O medo disfarça-se de realismo: para que a realidade não seja irreal, dizem os ideólogos da impotência, a moral haverá de ser imoral. Frente à indignidade, frente à miséria, frente à mentira, não temos outro remédio para além da resignação. Marcados pela fatalidade, nascemos preguiçosos, irresponsáveis, violentos, bobos, pitorescos e condenados à tutela militar. No máximo, podemos aspirar a converter-nos em prisioneiros do bom comportamento, capazes de pagar pontualmente os interesses de uma descomunal dívida externa contraída para financiar o luxo que nos humilha e o bastão que nos golpeia.&lt;br /&gt;   E neste estado de coisas, nós dizemos não à neutralidade da palavra humana. Dizemos não aos que nos convidam a lavar as mãos perante as quotidianas crucificações que ocorrem ao nosso redor. À aborrecida fascinação de uma arte fria, indiferente, contempladora do espelho, preferimos uma arte quente, que celebra a aventura humana no mundo e nela participa, uma arte irremediavelmente apaixonada e briguenta. Seria bela a beleza, se não fosse justa? Seria justa a justiça, se não fosse bela? Nós dizemos não ao divórcio entre a beleza e a justiça, porque dizemos sim ao seu abraço poderoso e fecundo.&lt;br /&gt;   Acontece que nós dizemos não, e dizendo não estamos dizendo sim.&lt;br /&gt;Dizendo não às ditaduras, e não às ditaduras disfarçadas de democracias, nós estamos dizendo sim à luta pela democracia verdadeira, que a ninguém negará o pão e a palavra, e que será bela e perigosa como um poema de Neruda ou uma canção de Violeta Parra.&lt;br /&gt;   Dizendo não ao devastador império da cobiça, que tem o seu centro no norte da América, nós estamos dizendo sim a outra América possível, que nascerá da mais antiga das tradições americanas, a tradição comunitária: a tradição comunitária que os índios do Chile defendem desesperadamente, de derrota em derrota, há cinco séculos.&lt;br /&gt;   Dizendo não à paz sem dignidade, nós estamos dizendo sim ao sagrado direito de rebelião contra a injustiça e contra a sua longa história, longa como a história da resistência popular no longo mapa do Chile.&lt;br /&gt;   Dizendo não à liberdade do dinheiro, nós estamos dizendo sim à liberdade das pessoas: liberdade maltratada e machucada, mil vezes derrubada, como o Chile e, como o Chile, mil vezes erguida.&lt;br /&gt;   Dizendo não ao egoísmo suicida dos poderosos, que converteram o mundo num vasto quartel, nós estamos dizendo sim à solidariedade humana, que nos dá sentido universal e confirma a força de fraternidades mais poderosas que todas as fronteiras com todos os seus guardiães: essa força que nos invade, como a música do Chile, e que como o vinho do Chile nos abraça.&lt;br /&gt;   E dizendo não ao triste encanto do desencanto, nós estamos dizendo sim à esperança, à esperança faminta e louca e amante e amada, como o Chile: a esperança obstinada como os filhos do Chile rompendo a noite."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo,Nós Dizemos Não, Editora Revan, Brasil, 1990&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109843296374548077?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109843296374548077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109843296374548077' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109843296374548077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109843296374548077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/ns-dizemos-no.html' title='Nós Dizemos Não'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109834742359179597</id><published>2004-10-21T09:18:00.000+01:00</published><updated>2004-10-21T09:31:40.766+01:00</updated><title type='text'>Central de Comunicação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O novo Gabinete de Informação e Comunicação (GIC) que vai ser criado na Presidência do Conselho de Ministros (PCM) custará, em 2005, cerca de dois milhões de euros. A chamada "central de comunicação" já foi aprovada em Conselho de Ministros, mas só começará a funcionar no final deste ano, início de 2005.&lt;br /&gt;Este gabinete, que deverá ter entre 20 a 30 pessoas, estava a ser pensado pelo ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, desde o Governo de Durão Barroso. No entanto, o anterior primeiro-ministro tinha algumas dúvidas sobre a utilidade de uma "central de comunicação" e, por isso, optou por adiar sempre uma decisão.&lt;br /&gt;Em pouco tempo, no entanto, Morais Sarmento e o actual primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, conseguiram entender-se. Pelo menos, quanto ao diploma que foi aprovado. A agilidade com que esta questão foi tratada foi vista, no Governo, como uma vontade do primeiro-ministro não querer dar azo a especulações sobre divergências com Sarmento, com quem não tem uma relação de confiança, ao contrário de outros barrosistas. Na Presidência do Conselho de Ministros, é dado como provável o nome de José Augusto Fernandes (ex-jornalista e ex-assessor de Durão em São Bento) para liderar a "central de comunicação", que poderá também recorrer a serviços externos.&lt;br /&gt;Segundo o decreto regulamentar que foi aprovado, o GIC irá "elaborar planos de comunicação relativos às políticas públicas aprovadas e à acção governativa; estabelecer as relações com os meios de comunicação social; apoiar assessorias e outras estruturas de imprensa; planear e apoiar campanhas de informação a promover; organizar e apoiar conferências de imprensa dos membros do Governo, bem como sessões de informação e esclarecimento; elaborar conteúdos internos para plataformas de informação e comunicação governamentais; elaborar relatórios de imprensa; promover a formação profissional na área da informação e comunicação e tratar, arquivar e divulgar a informação produzida pelos órgãos de comunicação social".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;PEREIRA, Helena,"Central de Comunicação", Público,19 de Outubro de 2004.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Pois é, nem Goebbels faria melhor!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Este vergonhoso governo que nos (des)governa, prentede controlar toda a informação que por aí circula.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Se me é permitido fazer uma sugestão, digo-lhe que o melhor meio para atingir os fins a que se propõe, será talvez acabar de vez com toda a imprensa livre deste ridículo país e estabelecer a pena de morte para os chamados "delitos de opinião". Desta forma, não só poupariam o dinheiro destes desgraçados contribuintes, mas também se livrariam de vez de todas as vozes incómodas e não alinhadas com a sua magna sapiência. MIL VEZES VERGONHA!!!!!! RUA! Já!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Urso Polaco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109834742359179597?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109834742359179597/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109834742359179597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109834742359179597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109834742359179597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/central-de-comunicao.html' title='Central de Comunicação'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109834667657261922</id><published>2004-10-21T09:08:00.000+01:00</published><updated>2004-10-21T09:17:56.573+01:00</updated><title type='text'>Obsessões Perigosas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em lugar do "governo do povo, pelo povo, para o povo", os que nos governam só concebem "o governo da televisão, pela televisão, para a televisão"&lt;br /&gt;   Num dos seus mais brilhantes e memoráveis discursos, Lincoln considerou que a vitória na batalha de Gettisburg na Guerra Civil americana garantia o "renascimento da liberdade; e o governo do povo, pelo povo, para o povo".&lt;br /&gt;   Século e meio depois, os anões políticos domésticos não só desconhecem o sentido do conceito de liberdade, como apenas concebem "o governo da televisão, pela televisão, para a televisão". Ou para as rádios. Ou para os jornais. O povo deixou de fazer parte das suas preocupações, apenas lhes interesse o que se mostra ou não ao povo. A política deixou de fazer sentido como serviço público, antes como instrumento de estar ou não "por cima" na comunicação social. Por isso perderam o sentido da proporção, levitam num espaço irreal onde, sem referências, se desdobram em declarações que lembram as baratas encadeadas pela luz forte de um mundo e um povo que não desapareceram e que existem para além dos jornais, das rádios e das televisões.&lt;br /&gt;Os novos dislates que ontem Rui Gomes da Silva somou à sua colecção particular de atoardas poderiam, e talvez até devessem, ser ignorados como se ignora a indigência vestida de soberba. Poderiam - mas não podem porque mostram onde chegou o desnorte que reina entre os colaboradores mais directos de Pedro Santana Lopes.&lt;br /&gt;   É certo que a maioria dos políticos olha para a imprensa e os jornalistas apenas como os que trazem e levam recados (e até há quem a isso se preste). Assim como é certo que o amor pela independência de juízo, coerência e sentido crítico dos comentadores varia conforme o "espírito do tempo". Porém, passar daí ao delírio da cabala, como objectivamente passou o ministro, não ofende apenas os que trabalham nesta casa e no "Expresso": mostra que este não compreende os mecanismos da circulação da informação e pensa que pode controlar o pensamento e domar o pluralismo através da mão invisível das dependências ou do tonitroar das ameaças.&lt;br /&gt;   Tal não surpreende. Afinal, trata-se de alguém que sempre acompanhou Santana e, como ele, acredita que tudo começa e acaba no espaço do pequeno ecrã, com mais ou menos golpes de mágica. De alguém que não entende que o "mel" do "Pedro" termina no momento em que os números de oratória não têm sequência na acção governativa. De quem, como Santana, se atormenta mais com uma notícia, uma fotografia ou um comentário que lhe é desfavorável do que com as difíceis decisões da boa governação.&lt;br /&gt;   O exemplo acabado de tal obsessão veio-nos este fim-de-semana do mais alto nível, quando o primeiro-ministro mandou a sua chefe de gabinete desmentir uma sua inocente e, porventura, merecida sesta depois de um debate parlamentar. Churchill, que não dispensava o invejável hábito da sesta, teria desprezado a insignificância da picardia; Santana, a quem falta o essencial - a substância -, perdeu a cabeça pois acredita que fica melhor no papel do "homem que não dorme", zelando pelo país de olhos bem abertos (mesmo enquanto assiste a um desfile da Moda Lisboa...).&lt;br /&gt;   O ridículo mata. Os dislates pagam-se. Os políticos vão e vêm. Mas a obsessão que estes mostram pelo controlo da informação é perigosa. Pior: eles são perigosos.&lt;br /&gt;(E, por hoje, já nem nos referimos ao que também ontem disse Morais Sarmento sobre a independência das estações públicas de radiodifusão...) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;FERNANDES, José Manuel,´"Obsessões Perigosas", Público,20 de Outubro de 2004.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109834667657261922?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109834667657261922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109834667657261922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109834667657261922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109834667657261922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/obsesses-perigosas.html' title='Obsessões Perigosas'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109834609194706008</id><published>2004-10-21T09:06:00.000+01:00</published><updated>2004-10-21T09:08:11.946+01:00</updated><title type='text'>Paradoxos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Metade dos brasileiros é pobre ou muito pobre, mas o país de Lula é o segundo mercado mundial de lapiseiras Montblanc e o nono comprador de automóveis Ferrari, e as lojas Armani de São Paulo vendem mais do que as de Nova Iorque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinochet, o verdugo de Allende, prestava homenagem à sua vítima cada vez que falava do “milagre chileno”. Ele nunca o confessou, nem tampouco o disseram os governantes democráticos que chegaram depois, quando o “milagre” se converteu em “modelo”: O que seria do Chile se não fosse chileno o cobre, a trave mestra da economia que Allende nacionalizou e que nunca foi privatizado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nasceram na América, não na Índia, os nossos índios. Também o peru e o milho nasceram na América e não na Turquia, mas a língua inglesa chama «Turkey» ao peru e a língua italiana chama «granturco» ao milho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Banco Mundial elogia a privatização da saúde pública na Zâmbia: “É um modelo para a África. Já não há filas nos hospitais”. O diário The Zambian Post, completa a ideia: “Já não há filas nos hospitais, porque as pessoas morrem em casa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quatro anos, o jornalista Richard Swift, chegou aos campos do oeste do Gana, onde se produz cacau barato para a Suiça. Na sua mochila, o jornalista levava tabletes de chocolate. Os cultivadores de cacau nunca tinham provado chocolate. Ficaram encantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os países ricos, que subsidiam a sua agricultura ao ritmo de mil milhões de dólares por dia, proíbem os subsídios à agricultura nos países pobres. Colheita recorde junto ao rio Mississipi: o algodão americano inunda o mercado mundial e derruba o preço. Colheita recorde junto ao rio Níger: o algodão africano vale tão pouco que nem vale a pena recolhê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vacas do Norte, ganham o dobro dos camponeses do Sul. Os subsídios que cada vaca recebe na Europa e nos Estados Unidos, são o dobro da quantidade média de dinheiro que ganha, por um ano inteiro de trabalho, cada produtor dos países pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os produtores do Sul, acedem desunidos ao mercado mundial. Os compradores do Norte impõem preços de monopólio. Desde que, em 1989, morreu a Organização Mundial do Café e acabou o sistema de cotas de produção, o preço do café anda de rastos. Nos últimos tempos, pior do que nunca: na América Central, quem semeia café, colhe fome. Mas não baixou nem um bocadinho, pelo que sei, o que pagamos para o beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Magno, criador da primeira grande biblioteca da Europa, era analfabeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joshua Slocum, o primeiro homem que deu a volta ao mundo navegando sozinho, não sabia nadar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há no mundo tantos esfomeados como gordos. Os esfomeados comem lixo nas lixeiras, os gordos comem lixo no McDonald’s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O progresso faz inchar. Raratonga é a mais próspera das ilhas Cook, no Pacífico Sul, com espectaculares índices de crescimento económico. Mas mais espectacular é o crescimento da obesidade entre os seus homens jovens. Há 40 anos, 11 em cada 100 eram gordos. Agora, todos são gordos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que a China se abriu a esta coisa a que chamam “economia de mercado”, o menu tradicional de arroz com vegetais, foi ferozmente desalojado pelos hambúrgueres. O governo chinês, não teve outro remédio senão declarar guerra contra a obesidade, convertida em epidemia nacional. A campanha de propaganda difunde o exemplo do jovem Liang Shun, que emagreceu 115 kg no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase mais famosa atribuída a Dom Quixote (“ Ladram Sancho, é sinal que cavalgamos”) não aparece na novela de Cervantes; e Humphrey Bogart não a diz a frase mais famosa atribuída ao filme Casablanca (“Play it again, Sam”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que se crê, Ali Bábá não era o chefe dos 40 ladrões, mas seu inimigo; e Frankenstein não era o monstro mas sim o seu involuntário inventor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À primeira vista, parece incompreensível, e à segunda vista também: onde o progresso mais progride, mais horas as pessoas trabalham. A doença por excesso de trabalho conduz à morte. Em japonês, diz-se: Karoshi. Agora, os japoneses estão a incorporar outra palavra no dicionário da civilização tecnológica: “Karojsatsu é o nome dado aos suicídios provocados por hiperactividade, cada vez mais frequentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Maio de 1998, a França reduziu a semana laboral de 39 para 35 horas. Essa lei, não só se revelou eficaz contra a desocupação, como também deu um exemplo de rara sanidade neste mundo que perdeu um parafuso, ou vários, ou todos: para que servem as máquinas, se não reduzem o tempo de trabalho humano? Mas os socialistas perderam as eleições e a França voltou à anormal normalidade do nosso tempo. Já se está a evaporar a lei que havia sido ditada pelo senso comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tecnologia produz sandes quadradas, frangos sem penas e mão-de-obra sem carne e osso. Nuns quantos hospitais dos Estados Unidos os robots cumprem tarefas de enfermagem. Segundo o diário The Washington Post, os robots trabalham 24 horas por dia, mas não podem tomar decisões, porque carecem de senso comum: um involuntário retrato do trabalhador exemplar do mundo futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os Evangelhos, Cristo nasceu quando Herodes era rei. Como Herodes morreu quatro anos antes da era cristã, Cristo nasceu pelo menos quatro anos antes de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com trovões de guerra se celebra em muitos países, a noite de Natal. Noite de paz, noite de amor: o foguetório enlouquece os cães e deixa surdos os homens e mulheres de boa vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cruz suástica, que os nazis identificaram com a guerra e com a morte, havia sido um símbolo de vida na Mesopotâmia, na Índia e na América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando George W. Bush propôs cortar os bosques para acabar com os incêndios florestais, não foi compreendido. O presidente parecia um pouco mais incoerente do que de costume. Mas ele, estava a ser consequente com as suas ideias. São os seus santos remédios: para acabar com a dor de cabeça, há que decapitar o doente; para salvar o povo iraquiano, vamos bombardeá-lo até o fazer em puré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é um grande paradoxo que gira no universo. Por este andar, daqui a pouco tempo os proprietários do planeta proibirão a fome e a sede, para que não faltem o pão nem a água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, “Paradojas”, www.rebelion.org/cultura/galeano201002.htm.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109834609194706008?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109834609194706008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109834609194706008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109834609194706008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109834609194706008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/paradoxos.html' title='Paradoxos'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109886705832959015</id><published>2004-10-21T00:50:00.000+01:00</published><updated>2004-10-27T11:00:10.536+01:00</updated><title type='text'>Sociedade de Consumo...</title><content type='html'>&lt;br clear="all"&gt;&lt;div style="FLOAT: right; MARGIN-BOTTOM: 10px; MARGIN-LEFT: 10px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="MARGIN-TOP: 0px;font-size:0;" &gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1086708/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1086708/"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; WIDTH: 316px; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid; HEIGHT: 202px" height="184" alt="" src="http://www.flickr.com/photos/1086708_3eacd17c1e_m.jpg" width="451" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109886705832959015?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109886705832959015/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109886705832959015' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109886705832959015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109886705832959015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/sociedade-de-consumo.html' title='Sociedade de Consumo...'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109817362876996236</id><published>2004-10-19T09:06:00.000+01:00</published><updated>2004-10-19T09:13:48.770+01:00</updated><title type='text'>Sobreviverá o mundo...?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; "Numa fotografia divulgada há semanas pela Associated Press, vê-se o Presidente Bush cumprimentando Santana Lopes durante uma cerimónia de recepção aos dirigentes mundiais presentes na abertura da 50ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. À direita da fotografia está Santana Lopes apertando a mão ao homem mais poderoso do mundo; ao centro, abraçado a Bush, em atitude de rasteira subserviência, está o Presidente da Guatemala; e à esquerda, está Bush, apertando a mão de Santana e com uma expressão que parece dizer: "Quem é este tipo?" E a legenda reza assim: "O Presidente Bush, com o Presidente da Guatemala, Oscar Berger ao centro, e uma pessoa não identificada à direita, ontem em Nova Iorque..."&lt;br /&gt;Embora Santana Lopes não saia bem da fotografia e, particularmente, da legenda, a verdade é que, desta vez, não tem culpa alguma. A expressão na cara de Bush e a legenda da AP são ambas eloquentes demonstrações daquilo que mais assusta a Europa relativamente aos Estados Unidos e a esta Administração: a sua suma ignorância, a sua arrogante e displicente ignorância, sobre o mundo que os rodeia e o qual pretendem comandar e disciplinar de acordo com a sua doutrina universal.&lt;br /&gt;Segundo uma curiosa sondagem divulgada há tempos, se o mundo inteiro pudesse votar nestas eleições americanas, Kerry ganharia a Bush com uma esmagadora margem de 80 contra 20 por cento - coisa jamais vista em alguma eleição americana. Os números da sondagem são particularmente impressionantes entre o eleitorado dos países tradicionalmente aliados dos Estados Unidos, como a Inglaterra, a Alemanha, a Itália e até Portugal. A sondagem deveria fazer meditar os americanos nas razões que ocasionam este geral desprezo do mundo pelo seu Presidente. Mas é certo que, se sequer se detiverem a pensar nela, a conclusão será exactamente a oposta: o reforço da popularidade interna de Bush, como desafio ao mundo que o despreza.&lt;br /&gt;As razões profundas da popularidade de Bush são, de facto, um fenómeno de difícil explicação, mesmo que parte dela se justifique por um efeito de arrasto de uma vaga actual de conservadorismo na América. Mesmo assim, as razões que muito provavelmente levarão George W. Bush à reeleição em Novembro são de difícil entendimento para um europeu.&lt;br /&gt;Bush sucedeu àquele que terá sido, em termos de política doméstica, pelo menos, o melhor Presidente que os americanos tiveram desde o pós-guerra. E desmantelou por completo a herança económica e social de Clinton: transformou o superávit das contas públicas em novo défice galopante, como o haviam feito o seu pai e Reagan, com isso desmentindo a tradicional acusação dos republicanos aos democratas de estes apenas saberem subir impostos e endividar a União. Bush baixou, de facto, os impostos, mas apenas para os ricos e para as grandes empresas, sob o argumento de que isso relançaria o investimento e o emprego - mas em quatro anos perdeu milhões de empregos que os anos Clinton haviam criado. Prosseguindo numa agenda política ditada pelos ícones do neoconservadorismo religioso que o inspiram, Bush desfez o sistema social de saúde montado por Clinton, cortou os subsídios de alimentação às crianças pobres das escolas desfavorecidas, tirou dinheiro à protecção ambiental para o gastar em armamento e, no seu círculo de politólogos iluminados, já se discute até a possibilidade de terminar com o princípio da progressividade fiscal, para o substituir pelo princípio da proporcionalidade (ou seja, a mesma taxa de IRS para quem ganhe mil dólares e para quem ganhe um milhão) - um retrocesso civilizacional de um século.&lt;br /&gt;Segundo as explicações mais comuns, a popularidade de Bush sustenta-se, apesar da desastrosa governação, no trauma pós-11 de Setembro e na ideia que o americano comum criou de que Bush é quem está melhor colocado para evitar novo ataque terrorista em território americano. Mas o que é curioso é que essa convicção é alicerçada em puro preconceito ideológico, que os factos não suportam: sabe-se hoje que o Governo de Bush subestimou e negligenciou as informações de segurança que apontavam para a iminência do 11 de Setembro; conhece-se a reacção patética de Bush quando teve conhecimento do ataque a Nova Iorque, documentada no filme de Michael Moore; e permanecem por explicar as cinco horas subsequentes, em que Bush esteve desaparecido, presumindo-se que andou às voltas no céu, a bordo do "Air Force One", até ter a certeza de que o ataque tinha terminado. Perante este panorama, é difícil de entender que garantias pode dar este Presidente de conseguir prevenir novo ataque terrorista ou de saber reagir a ele.&lt;br /&gt;Nestes quatro anos de mandato, Bush tem uma única e recente vitória na sua política externa, que foi a realização de eleições no Afeganistão. A passagem da Líbia do campo terrorista para o campo "civilizado", apontado por Rumsfeld como outra vitória desta Administração, deve-se, de facto, aos esforços diplomáticos dos ingleses, e não dos americanos. Quanto ao resto, foi um desastre.&lt;br /&gt;A aventura iraquiana foi um total descalabro, cujas consequências vale a pena lembrar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- Dividiu o campo europeu entre os seguidores acríticos dos Estados Unidos e os outros, quebrando a unidade europeia, a dos Aliados e a da NATO;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- Desautorizou e descredibilizou as Nações Unidas, com consequências que já são visíveis na questão de Darfur, onde a organização revela a impotência a que ficou reduzida, depois de os Estados Unidos a terem remetido a um papel de avalista das decisões de política externa do Departamento de Estado;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- Em nome do desarmamento, invadiu-se um país desarmado - o Iraque - e deixou-se de lado os que verdadeiramente se estavam e estão a armar - a Coreia do Norte e o Irão;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- E, tendo invadido o país errado sob falsos pretextos e falsas provas, perdeu-se o crédito junto da opinião pública para futuras e necessárias missões de segurança internacionais (depois da mentira do Iraque, quem vai acreditar na verdade?);&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- Sob o pretexto de combater o terrorismo da Al-Qaeda, que não existia no Iraque, transformou-se o país, mesmo sob a ocupação dos "marines", num campo de recrutamento e actividade florescente de todo o terrorismo, não apenas da Al-Qaeda, mas de várias outras organizações, que entretanto ali nasceram e prosperam, com a justificação da ocupação;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- Não se democratizou o Iraque, porque não havia com quem e porque os iraquianos não aceitaram nova ordem constitucional ditada pelo ocupante;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- Não se trouxe, como prometido, a paz e o progresso ao Iraque, mas sim o terror diário, o caos, o colapso da economia e das instituições civis e a inviabilidade económica e adiministrativa do país;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- Sacrificaram-se mais de mil vidas de soldados americanos, não na conquista do Iraque, mas na sua ocupação, e deitaram-se fora biliões de dólares dos contribuintes americanos e seus aliados, numa solução político-militar de que ninguém adivinha o fim;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- Desviadas as atenções para o Iraque, deixou-se Israel em roda livre, para impor a sua solução para a Palestina, como, quando e até onde quiser;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;- E, enfim, dos 28 dólares por barril de petróleo que o mercado pagava antes da invasão do Iraque, saltou-se agora para os 50 dólares por barril - um preço que compromete toda a retoma económica mundial, que estava a iniciar-se quando Bush tomou posse. Pior era impossível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Bem podem Bush e Rumsfeld gabar-se de que, em contrapartida, Saddam Hussein foi derrubado e está agora numa prisão. Será que essa única boa notícia vale todo o preço já pago e a pagar? Quem pode garantir que não haverá um novo ataque terrorista nos Estados Unidos, ou em Espanha, ou na Inglaterra? Quantos países árabes se sentem tentados a seguir o exemplo do Iraque, democratizado e pacificado, como Bush prometeu?" &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;TAVARES, Miguel de Sousa,"Sobreviverá o mundo a mais quatro anos de Bush?", Público, 15 de Outubro de 2004.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109817362876996236?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109817362876996236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109817362876996236' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109817362876996236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109817362876996236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/sobreviver-o-mundo.html' title='Sobreviverá o mundo...?'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109811827207604614</id><published>2004-10-18T17:48:00.000+01:00</published><updated>2004-10-18T17:51:12.076+01:00</updated><title type='text'>A Santanada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Se alguém esperava do primeiro-ministro o público pedido de desculpas a que estava obrigado pelos graves comportamentos do seu Governo contra a liberdade de expressão em que vem estando envolvido, enganou-se. A anunciada alocução de Santana Lopes foi precisamente o contrário disso. Uma tentativa de inverter a vaga de críticas que sobre a coligação de direita se abateu a propósito do caso de Marcelo Rebelo de Sousa e não só, algumas das mais contundentes oriundas do próprio PSD. O truque era, aliás, previsível: desvalorizar o clamor dos protestos como "ruído" conspiratório dos "políticos" sem qualquer fundamento, e falar, "para o povo", da excelência da obra em curso e do leite e do mel que aí vêm pela mão do dr. Santana.&lt;br /&gt;Só que a santanada tropeçou em si mesma, tal a inabilidade e a estrutural incompetência em que este Governo se encontra atolado: cada gesto que faz para tentar desfazer a baralhada anterior acentua, em vez de apagar, o pior que existe nesta dupla Santana-Portas e seus sequazes, a quem o Presidente da República deu a faculdade de governar. Porque falhou, então, a encenação propagandística concebida pelas criaturas do dr. Santana?&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, porque, querendo desviar as atenções da opinião pública para as graves violações ao pluralismo e à livre expressão nos órgãos de informação de que este Governo é o principal promotor, a própria alocução do primeiro-ministro foi a confirmação dos piores receios que sobre esta matéria possam existir. O discurso não foi transmitido no tempo de antena do Governo, como devia ser, mas no tempo espaço informativo dos telejornais, onde surgiu como um puro acto de propaganda sem contraditório. Ainda por cima, não trazia qualquer informação nova, limitava-se a repetir promessas feitas na véspera pelo chefe do PSD em comício eleitoral nos Açores, a anunciar, pela segunda vez (o ministro das Finanças já o fizera há dias na televisão), as linhas gerais (?) do Orçamento do Estado e a desfiar o habitual rol de auto-elogios à acção do Governo e do seu abalado líder.&lt;br /&gt;Em suma, uma comunicação que deixa as maiores preocupações sobre o futuro da liberdade de expressão neste país enquanto esta gente ficar no poder. Quanto mais isolada estiver a coligação PSD-PP, quanto mais acossado e em queda estiver Santana Lopes e o seu grupo, mais o Governo tenderá a refugiar-se, como agora fez, na conversa em família, na discursata oficial ou oficiosa sem debate e crítica plural, na manipulação dos órgãos de informação onde logrou colocar comissários políticos da sua confiança.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, procurava-se com esta "comunicação ao país" recuperar terreno, interromper o declínio, ensaiar um exercício de populismo caudilhista em direcção aos que "têm menos", mostrar-se o Governo da direita como aquele que se preocupa com os "mais desfavorecidos", enquanto "os políticos" se entretêm com intrigas e a "fazer ruído" sem sentido. Mas aqui a tentativa do dr. Santana não fez senão agravar ainda mais as contradições, a trapalhada e a falta de credibilidade relativamente a tudo aquilo em que este Governo toca.&lt;br /&gt;Prometeu baixar as taxas do IRS, o que desdiz a opinião publicamente contrária do governador do Banco de Portugal e, mais do que isso, as explícitas declarações proferidas há dias pelo seu ministro das Finanças na televisão de que não havia condições para qualquer baixa na receita dos impostos. Em que é que ficamos? Baixam os impostos ou não? Quem está a mentir? Ou vai haver, daqui a dias, outra nota oficiosa do gabinete do primeiro-ministro a dizer que, afinal, ele não disse bem o que disse? Como se pode levar isto a sério?&lt;br /&gt;Falou de aumentos dos salários na função pública. Sobre isto já o dr. Santana prometeu que subiriam acima da inflação (o que voltou a insinuar no tal comício açoriano), já o ministro das Finanças disse exactamente o contrário e, anteontem, limitou-se o primeiro-ministro a dizer que iam subir, sem explicar como e quanto. É que se ficarem, como tudo indica, aquém da subida real dos preços (e não das expectativas oficiais sempre propositadamente subestimadas) e não incorporarem os ganhos de produtividade, os salários não sobem, descem em termos reais. E é isso que o Governo, na sua intencional ambiguidade, está realmente a prometer.&lt;br /&gt;Anunciou, na mesma linha vaga de fugir a precisões de números, valores, escalões, etc., a subida das pensões. Ninguém sabe bem o que se vai passar, a não ser isto: a promessa eleitoral, solene, deste Governo de fazer convergir as pensões mais baixas com o salário mínimo é uma miragem cada vez mais distante.&lt;br /&gt;Nesta mão-cheia de nada que o dr. Santana veio oferecer ao país, fez um rol patético da "obra" do seu Governo. O que nele não são ninharias ou feitos alheios são tremendas agressões contra a vida dos mais pobres, dos trabalhadores por conta de outrem, ou das regiões mais deprimidas do país: taxas moderadoras da saúde mais caras e a pagar pelos mais carenciados, que são os que recorrem aos serviços públicos de saúde, uma lei das rendas que a breve trecho se vai revelar como a lei dos despejos, as portagens nas scut para agravar ainda mais a interioridade e a discriminação das regiões periféricas. Mas esqueceu-se de anunciar os aumentos trimestrais dos transportes públicos e a subida imparável do desemprego, tudo num quadro de quebra persistente do poder de compra.&lt;br /&gt;Esqueceu-se também de explicar como é que tanta preocupação com "os que mais precisam" se compatibiliza com o recrutamento, em dois curtos meses, de milhares de "boys" dos partidos do poder, com ordenados frequentemente escandalosos, para as sinecuras do Estado e das empresas públicas; como vai lidar com as pensões milionárias da Caixa Geral de Depósitos, aliás transformada em depósito dourado de ministros incompetentes; o que vai fazer de concreto para combater a evasão e a fraude fiscal... Um afã de promessas redentoras que roça a irresponsabilidade, quando não se deixa cair nem uma palavra de prudência face à subida em flecha dos preços do petróleo que já ultrapassaram os 50 dólares por barril.&lt;br /&gt;Em suma, um populismo já gasto, sem garra, preso, apesar deste ensaio de retórica despesista, nos limites do défice (para cuja política, verdadeiramente, a direita não tem alternativa), sem real margem de manobra, tropeçando constantemente nas suas mentiras, contradições e impossibilidades.&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, quiseram esses incompreendidos génios da propaganda santanista encenar o chefe em pose solene de homem de Estado, sentado à secretária, transpirando estabilidade institucional e unidade da coligação por sobre a espuma da intrigalhada da política menor. Mas a operação estava destinada à hilariedade geral, quando é sabido que algumas das mais duras críticas à governação santanista, chamemos-lhe assim por facilidade de expressão, vêm não só da coligação, mas do próprio PSD. Tanto no principal partido da coligação no poder, como no seio do Governo, é já indisfarçável o mal-estar geral, a barafunda, as contradições, os desmentidos, os tiros no pé, desde a saúde e as finanças ao ambiente, passando pelos fiascos da educação e os delírios bacocos da política de defesa.&lt;br /&gt;Também, porque no meio de tanta pompa institucional, a via do dr. Santana leva, inexoravelmente, a que lhe fuja o pé para o chinelo. E não resistiu, aliás sintomaticamente, a provocar o Presidente da República, por insinuar publicamente divergências com o Governo. Como se estivesse ciente da impotência presidencial para correr com ele ou quisesse, por antecipação, surgir como vítima de qualquer inesperado golpe de humor presidencial. Na mesma linha, aliás, o dr. Santana desafia e desrespeita o Parlamento, procurando discutir e decidir o OE fora dele, à margem de qualquer debate sério e fundamentado, a golpes de propaganda.&lt;br /&gt;O discurso do primeiro-ministro resumindo saldou-se num acto cinzento e melancólico de propaganda, sem golpe de asa, sem convicção, sem seriedade, qual recurso à beira do limite de alguém que não está preparado para governar e que não sabe bem como se manter à tona de água. A direita no seu pior.&lt;br /&gt;Não será mais do que tempo de pôr um ponto final nesta balbúrdia de preço tão elevado e devolver a voz aos eleitores? Afinal de contas o dr. Santana só pode estar onde está porque lhes foi negado o direito de se pronunciarem." &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;ROSAS, Fernando,"A Santanada", Público,13 de Outubro de 2004.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109811827207604614?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109811827207604614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109811827207604614' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109811827207604614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109811827207604614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/santanada.html' title='A Santanada'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109811783745165449</id><published>2004-10-18T17:40:00.000+01:00</published><updated>2004-10-18T17:43:57.450+01:00</updated><title type='text'>De Hiroxima às Twin Towers</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; “Visto o número de vítimas civis inocentes mortas no Afeganistão a título “colateral" pelos bombardeamentos norte americanos, ser agora igual ao número das que morreram no ataque às Twin Towers, talvez nos seja permitido situar os acontecimentos numa perspectiva mais ampla - mais ampla mas não menos trágica - e pôr uma nova questão: matar deliberadamente será fazer um mal mais grave ou mais repreensível do que matar às cegas e sistematicamente? ( Digo sistematicamente porque os Estados Unidos começaram a pôr de pé esta estratégia armada a partir da Guerra do Golfo.)&lt;br /&gt;Não tenho resposta para a questão que formulo. È possível que no terreno, por entre as bombas em cacho lançadas pelos B-52, ou no fumo sufocante de Church Street, em Manhantan, qualquer comparação ética se torne, a este nível, indecente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No 11 de Setembro de 2001, quando vi na televisão o que os vídeos transmitiam, isso recordou-me imediatamente o 6 de Agosto de 1945. Com efeito, foi nesse dia à noite que nós europeus, soubemos da notícia do bombardeamento de Hiroxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre estes dois acontecimentos há óbvias correspondências, nomeadamente uma bola de fogo que cai sem avisar de um céu sem nuvens, tendo ambos os ataques sido projectados de modo a ocorrerem à hora em que os civis das cidades escolhidas vão de manhã para o trabalho, em que as lojas abrem, em que as crianças se encontram na escola preparando as lições. Em ambos há uma idêntica redução a cinzas, corpos lançados pelos ares e transformados em destroços. Uma mesma incredulidade e um mesmo caos provocados por uma nova arma de destruição utilizada pela primeira vez – a bomba A há sessenta anos, um avião de passageiros no Outono passado. No epicentro de ambas as ocorrências, sobre todas as coisas e sobre toda a gente, um espesso sudário de pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, as diferenças de escala e de contexto são enormes. Em Manhantan o pó não era radioactivo. Em 1945, havia então três anos que os Estados Unidos levavam a cabo uma verdadeira guerra contra o Japão. Mas nem por isso deixa de ser verdade que os dois ataques foram concebidos para servir de aviso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante um e o outro, ficou a saber-se que a partir dali o mundo já não era o mesmo mundo: os riscos que por toda a parte são inerentes à vida sofreram uma metamorfose na aurora de um novo dia que amanhecia sem nuvens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bombas lançadas sobre Hiroxima e Nagasáqui anunciaram que os Estados Unidos passavam a ser a suprema potência militar do mundo. O ataque do 11 de Setembro anunciou que esta potência já não tem no seu próprio solo uma invulnerabilidade garantida. Estes dois acontecimentos assinalam o início e o fim de um certo período histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais agudos comentários e análises, e também os mais angustiados, da resposta do presidente George W. Bush ao 11 de Setembro – aquilo a que chamou  “Guerra contra  o Terrorismo”, primeiro crismada “Justiça Infinita” e depois baptizada “Liberdade Imutável” – foram exprimidos e escritos por cidadãos dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acusação de antiamericanismo feita contra os que se opõem formalmente aos decisores em funções em Washington é de tão curtas vistas como a política que nós pomos em causa. Há incontáveis cidadãos dos Estados Unidos que são antiamericanos e de quem nós somos solidários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também numerosos cidadãos estadunidenses que apoiam a política de Bush, incluindo sessenta intelectuais que recentemente assinaram uma declaração em que procuram definir o que é em geral uma guerra “justa” e por que razão, em particular, se justificam a operação “Liberdade Imutável” no Afeganistão e a guerra contra o terrorismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiantam estes intelectuais o argumento de que uma guerra é “justa”, ou moralmente justificada, quando o seu objectivo consiste em defender do mal os inocentes. Citam Santo Agostinho. Acrescentando que semelhante guerra, na medida do possível, deverá respeitar a imunidade dos não combatentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se lermos esta declaração com toda a inocência (sabendo, é claro, que ela não foi redigida espontaneamente nem de modo inocente), o texto faz-nos pensar numa reunião de peritos pacientes e eruditos, exprimindo-se com discrição, tendo por sua conta uma vasta biblioteca (talvez até uma piscina entre cada sessão de trabalho) e dispondo do tempo todo para reflectir com calma, para discutir as reservas que uns e outros emitem, chegando por fim a um acordo em que resumem o juízo de todos sobre a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressalta também dessa declaração a ideia de uma tal reunião de peritos que terá decorrido algures numa espécie de mítico hotel de Seis Estrelas (com acesso reservado a helicópteros) situado num parque espaçoso mas igualmente cercado de altas muralhas, provido de guardas e com pontos de controlo policiais. Lugar esse onde não pode haver o mínimo contacto entre tais pensadores e a população local, e onde os encontros resultantes do acaso são impossíveis. Resultando pois de semelhantes circunstâncias  que aquilo que realmente ocorreu na história e aquilo que hoje se passa para além das paredes do hotel não é tido como um dado legítimo, não sendo, por conseguinte, levado em linha de conta. Trata-se aqui de uma ética para turistas de luxo, protegidos do mundo exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas voltemos ao Verão de 1945. Nessa altura haviam já sido destruídas pelo fogo, na sequência de bombardeamentos com napalm, sessenta e seis das maiores cidades japonesas. Em Tóquio um milhão de civis encontrava-se sem tecto e 100 mil pessoas tinham sido mortas. Essas pessoas, para retomarmos a expressão do general-de-divisão Curtis Lemay, responsável dessas operações de bombardeamentos pelo fogo, haviam sido “grelhadas, fervidas e cozidas até à morte”. O filho do presidente Franklin Roosevelt, que era também seu confidente, declarara que os bombardeamentos deviam continuar “até termos destruído mais ou menos metade da população civil japonesa”. A 18 de Julho o imperador do Japão telegrafa ao presidente Truman que entretanto sucedera a Roosevelt, para pedir mais uma vez a paz. A mensagem será ignorada.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uns dias antes do bombardeamento de Hiroxima, o vice-almirante Radford alardeia a sua bazófia: “O Japão vai acabar por ser uma nação sem cidades – um povo de nómadas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bomba que explodiu por cima de um hospital no centro da cidade matou de uma penada 100 mil pessoas, das quais 95 por cento eram civis. Na sequência da bomba, 100 mil outras irão morrer lentamente dos efeitos da irradiação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há dezasseis horas”, anunciou o presidente Truman, “um avião americano lançou uma bomba sobre Hiroxima, importante base militar japonesa”. Um mês depois, a primeira reportagem não censurada – do corajoso jornalista australiano Wilfred Burchett – descreve os indizíveis sofrimentos que o autor testemunhou ao visitar naquela cidade um hospital improvisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O general Groves, então director militar do Projecto Manhanttan, projecto este cuja missão consistia em planificar e produzir a bomba, apressou-se a tranquilizar os membros do Congresso dizendo-lhes que as radiações não provocavam “nenhum sofrimento excessivo” e que “na realidade, segundo nos dizem, constituem uma forma muito agradável de morrer”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1946, o inquérito sobre os bombardeamentos estratégicos efectuados pelos Estados Unidos conclui que “o Japão ter-se-ia rendido mesmo que as bombas atómicas não tivessem sido lançadas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, descrever desta maneira uma tal sequência de acontecimentos é simplificar em exagero. O Projecto Manhanttan foi criado em 1942, na altura em que Hitler triunfava e em que era muito sério o risco de serem investigadores alemães os primeiros a produzir bombas atómicas. Por outro lado, a decisão americana de lançar duas bombas sobre o Japão na altura em que esse risco já não existia tem de ser vista no contexto das atrocidades cometidas pelas forças japonesas através do sudeste asiático e do ataque surpresa a Peal Harbour em Dezembro de 1941. Certos chefes militares americanos e certos cientistas que trabalhavam no Projecto Manhanttan fizeram quanto estava ao seu alcance para dissuadir Truman de tomar uma decisão de tão pesadas consequências ou, pelo menos, para a retardar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim de contas, porém, após tudo ter sido dito e feito, foi impossível celebrar a rendição incondicional do Japão a 14 de Julho – ela aliás não foi sem condições – como uma vitória longamente desejada. No âmago dessa rendição reinavam a angústia e a cegueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta história tem por fim mostrar a que ponto sessenta  pensadores norte-americanos, no seu mítico Hotel de Seis Estrelas, chegam a ser estranhos até à realidade da sua própria história nacional. Tem também por fim lembrar que o período de supremacia militar americana iniciado em 1945 começou, para todos quantos se situam fora da órbita norte-americana, com uma ofuscante demonstração de potência longínqua, impiedosa mas cheia de ignorância. O presidente Bush deveria ter em mente tais factos quando pergunta “Por que razão nos odeiam eles?”. Mas como o poderá fazer? É ele um dos directores do Hotel de Seis Estrelas e nunca de lá sai.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;BERGER, John, “De Hiroxima às Twin Towers”, Le Monde Diplomatique, nº42, 2002.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109811783745165449?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109811783745165449/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109811783745165449' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109811783745165449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109811783745165449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/de-hiroxima-s-twin-towers.html' title='De Hiroxima às Twin Towers'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109808917885501875</id><published>2004-10-18T09:44:00.000+01:00</published><updated>2004-10-18T09:46:18.856+01:00</updated><title type='text'>Elogio do bom senso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O nosso mundo doente de inconstância e desamparos sofre de uma outra bem cruel doença: a ausência de espaços amplos abertos ao diálogo e ao trabalho em comum. Onde encontrar um terreno de reunião em que o encontro e a troca ainda sejam possíveis? Não podemos nós começar por procurá-lo no senso comum? Neste bom senso hoje tão precioso e tão raro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos, por exemplo, as despesas militares. O mundo dedica por dia 2,2 mil milhões de dólares à produção de morte. Mais precisamente, o mundo dedica esta fortuna astronómica a promover gigantescas caçadas em que o predador e a presa são da mesma espécie e de onde sai vencedor aquele que tiver matado o maior número dos seus congéneres. Nove dias de despesas militares é quanto bastaria para fornecer alimento, educação e cuidados médicos a todas as crianças da Terra que os não têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A priori, esta devassidão financeira constitui uma flagrante violação do sentido comum. E a posteriori? A versão oficial justifica tamanho desperdício invocando a guerra contra o terrorismo. Mas o bom senso diz-nos que o terrorismo lhe fica extremamente grato. Não é preciso sermos grandes sábios para constatar que as guerras do Afeganistão e do Iraque foram para o terrorismo um estímulo importante. As guerras correspondem a terrorismo de estado, o terrorismo de Estado alimenta-se com o terrorismo privado, e reciprocamente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números foram publicados recentemente: a economia norte-americana retoma a sua progressão e volta a um crescimento de ritmo satisfatório. Segundo os peritos, sem as despesas ligadas à guerra na Mesopotâmia um tal crescimento seria nitidamente inferior. De certa maneira, portanto, a guerra contra o Iraque é uma excelente notícia para a economia. E para os mortos? Far-se-á o sentido comum ouvir pela voz das estatísticas económicas ou pela voz de um pai mortificado, Júlio Anguita, quando este diz: «Maldita seja esta guerra e todas as guerras»?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cinco maiores fabricantes e vendedores de armas (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) são os Estados com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não será um insulto ao bom senso que os garantes da paz mundial sejam também os mais importantes fornecedores de armas do planeta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora da verdade, são estes cinco países que mandam. São eles, igualmente, que dirigem o Fundo Monetário Internacional (FMI). Quase todos figuram entre os oito Estados que tomam as decisões determinantes no Banco Mundial, bem como na Organização Mundial de Comércio (OMC), onde o direito de voto está previsto mas nunca é utilizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deveria a luta pela democracia no mundo começar pela democratização dos organismos pretensamente internacionais? Que diz a este respeito o sentido comum? Não está previsto que ele emita opiniões. O bom senso não tem direito a voto, nem direito a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande parte dos crimes mais atrozes e dos piores prejuízos que se cometem neste planeta é perpetrada através destes organismos (FMI, Banco Mundial, OMC) pretensamente internacionais. As suas vítimas são os «desaparecidos»; não os que se perderam no horror das ditaduras militares, mas os que «desaparecem» na democracia. No meu país, o Uruguai, nos últimos anos, bem como no resto da América Latina e nas outras regiões do mundo, desapareceram os empregos, os salários, as aposentações, as fábricas, as terras, os rios, e até os nossos próprios filhos, forçados a emigrar em busca daquilo que perderam retomando os passos, em sentido inverso, dos seus antepassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaso nos obrigará o bom senso a ter de suportar estas dores evitáveis? A aceitá-las, cruzando os braços, como se fossem a obra fatal do tempo ou da morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitação? Resignação? Temos de admitir que a pouco e pouco o mundo se torna cada vez menos justo. Para dar um exemplo, a diferença entre o salário da mulher e o do homem já não é tão abissal como outrora. Mas ao ritmo a que as coisas vão, ou seja, nada depressa, a igualdade salarial entre homens e mulheres deverá realizar-se daqui a 475 anos! Que aconselha o bom senso? Esperar? Não há mulher nenhuma, que eu saiba, capaz de viver tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira educação, a que emana do bom senso e conduz ao bom senso, ensina-nos a lutar para reavermos aquilo que nos usurparam. O bispo catalão Pedro Casaldaliga tem uma longa experiência dos anos passados na floresta brasileira. O que ele diz é o seguinte: se é verdade que mais vale ensinar a pescar do que dar um peixe, em contrapartida para nada serve ensinar a pescar se os rios tiverem sido envenenados ou vendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para pôr os ursos a dançar nos circos, o domador prepara-os; ao ritmo da música, bate-lhes com um pau coberto de espetos. Se dançarem correctamente, o domador deixa de lhes bater e dá-lhes comida. De contrário, a tortura continua, e à noite os ursos voltam para as jaulas de barriga vazia. Por medo, medo das pancadas e da fome, os ursos dançam. Do ponto de vista do domador isto é puro bom senso. Mas do ponto de vista do animal quebrantado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Setembro de 2001, Nova Iorque. Quando o avião desventrou a segunda torre e esta começou a estalar e depois a desmoronar-se, as pessoas precipitaram-se pelas escadas abaixo a toda a pressa. Os altifalantes intimaram então todos os assalariados a regressar aos seus postos de trabalho. Quais terão agido com bom senso? Só os que desobedeceram se salvaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nos salvarmos, juntemo-nos. Como os patos voadores de um mesmo voo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tecnologia do voo colectivo: o primeiro pato lança-se e abre caminho ao segundo, que indica o caminho ao terceiro, e a energia do terceiro leva o quarto pato a voar, que arrasta o quinto, e o impulso do quinto provoca o voo do sexto, que dá forças ao sétimo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o pato batedor se cansa, volta à cauda do bando e dá lugar a outro, que  sobe ao cume daquele V invertido que os patos desenham no ar. Todos sucessivamente irão à frente e atrás do grupo. Segundo o meu amigo Juan Díaz Bordenave, que não é «palmípedologista» mas que sabe da poda, nenhum pato se toma por superpato quando voa à frente, nem por subpato quando vai na cauda. Os patos, quanto a eles, não perderam o bom senso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, “Elogio do bom senso”, Le Monde Diplomatique, nº65, 2004&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109808917885501875?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109808917885501875/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109808917885501875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109808917885501875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109808917885501875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/elogio-do-bom-senso.html' title='Elogio do bom senso'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109782947157416460</id><published>2004-10-15T09:37:00.000+01:00</published><updated>2004-10-15T09:37:51.573+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="float: right; margin-left: 10px; margin-bottom: 10px;"&gt; &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/881735/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://www.flickr.com/photos/881735_00ab0a0c72_m.jpg" alt="" style="border: solid 2px #000000;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-size: 0.9em; margin-top: 0px;"&gt;  &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/881735/"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;  Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109782947157416460?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109782947157416460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109782947157416460' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109782947157416460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109782947157416460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/originally-uploaded-by-ursopolaco.html' title=''/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109782897124013469</id><published>2004-10-15T09:26:00.000+01:00</published><updated>2004-10-18T09:48:22.643+01:00</updated><title type='text'>Pega Ladrão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Pega ladrão! No governo!Pega ladrão! No congresso!Pega ladrão! No senado!Pega lá na câmara dos deputados!Pega ladrão! No palanque!Pega ladrão! No tribunal!É por causa desses caras que tem gente com fome, que tem gente matando, etc e tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pega, pega!Pega, pega ladrão!!Pega, pega!Pega, pega ladrão!!Pega, pega!Pega, pega ladrão!!A miséria só existe porque tem corrupção.Pega, pega!Pega, ladrão!!Pega, pega!Pega, pega, ladrão!!Pega, pega!Pega, pega ladrão!!Tira do poder!Bota na prisão!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você, que é um simples mortal, levando uma vidinha legal, alguém já te pediu um real? Alguém já te assaltou no sinal?Você acha que as coisas vão mal?Ou você tá satisfeito? Você acha que isso é tudo normal?Você acha que o país não tem jeito?Aqui não tem terremoto, aqui não tem vulcão.Aqui tem tempo bom, aqui tem muito chão.Aqui tem gente boa, aqui tem gente honesta, mas no poder é que tem gente que não presta."Eu fui eleito e represento o povo Brasileiro.Confie em mim que eu tomo conta do dinheiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refrão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tira esses malandro do poder executivo!Tira esses malandro do poder judiciário!Tira esses malandro do legislativo!Tira do poder que eu já cansei de ser otário!Tira esses malandro do poder municipal!Tira esses malandro do governo estadual!Tira esses malandro do governo federal!Tira a grana deles e aumenta o meu salário!- Tá vendo esta mansão sensacional? Comprei com o dinheiro desviado do hospital.- E o meu cofre, cheio de dólar? É o dinheiro que seria pra fazer mais uma escola.- Precisa ver minha fazenda! Comprei só com o dinheiro da merenda!- E o meu filhão? Um milhão só de mesada! E tudo com o dinheiro das criança abandonada.- E a minha esposa? Só não me leva à falência porque eu tapo esse buraco com o rombo da previdência.- Vossa excelência... Ce não viu meu avião! Comprei com uma verba que era pra construir prisão!- E a superlotação?- Problema do povão! Não temo imunidade? Pra nós não pega não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refrão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miséria só existe porque tem corrupção.Desemprego só aumenta porque tem corrupção.Violência só explode porque tem tanta miséria e desemprego.Porque tem tanta corrupção!"Todos que me conhecem sabem muito bem que eu não admito o enriquecimento do pobre e o empobrecimento do rico!"E você, que nasceu nesse país.E que sonha e que sua pra ser feliz.Você presta atenção no que o candidato diz?Ou cê vota em qualquer um, seu babaca?E depois da eleição, você cobra resultado?Ou fica aí parado, de braço cruzado?Cê lembra em quem votou pra Deputado?E quem você botou lá no Senado?&lt;br /&gt;Refrão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Gabriel o Pensador,"Pega Ladrão", Seja Você mesmo, mas não seja sempre o mesmo, 2002&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109782897124013469?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109782897124013469/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109782897124013469' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109782897124013469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109782897124013469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/pega-ladro.html' title='Pega Ladrão'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109887361676178134</id><published>2004-10-14T11:40:00.000+01:00</published><updated>2004-10-27T11:49:07.586+01:00</updated><title type='text'>McShit</title><content type='html'>&lt;div style="FLOAT: right; MARGIN-BOTTOM: 10px; MARGIN-LEFT: 10px"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1087436/"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; WIDTH: 185px; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid; HEIGHT: 149px" height="142" alt="" src="http://www.flickr.com/photos/1087436_624bd6aff9_m.jpg" width="126" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="MARGIN-TOP: 0px;font-size:0;" &gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1087436/"&gt;McShit&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109887361676178134?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109887361676178134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109887361676178134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109887361676178134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109887361676178134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/mcshit_14.html' title='McShit'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109774340451468920</id><published>2004-10-14T09:38:00.000+01:00</published><updated>2004-10-14T09:43:24.516+01:00</updated><title type='text'>Os Métodos e os avisos de Luís Delgado</title><content type='html'>    &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Um vendedor de antenas parabólicas, que se acha crítico de televisão, e da Imprensa em geral, passou aos insultos pessoais. Diz tudo do seu carácter e estatura mental. Trate-se, ECT [Eduardo Cintra Torres, cronista do PÚBLICO]. Interne-se, num hospital psiquiátrico."&lt;br /&gt;   A frase é de Luís Delgado (numa crónica no "Diário Digital"), fiel seguidor de Pedro Santana Lopes, ainda presidente da agência Lusa e já nomeado para presidente executivo da Lusomundo Media ("Diário de Notícias", "Jornal de Notícias", "24 horas", "Tal &amp; Qual", TSF e mais um grupo de jornais da imprensa regional). Eis o que pensa e como age um homem que se afirma jornalista e que há anos tem pena livre em vários órgãos de comunicação social sobre outro homem que faz o mesmo. "Interne-se, num hospital psiquiátrico". Talvez a memória falhe a Delgado, mais coisas deste género faziam-se na ex-URSS.&lt;br /&gt;   Marcelo Rebelo de Sousa, não foi internado em qualquer hospital psiquiátrico, mas foi silenciado depois de criticado por outro fiel serventuário do poder santanista. Delgado é ainda mais ambicioso.&lt;br /&gt;E que não restem dúvidas, Delgado não está só a criticar Eduardo Cintra Torres, está a deixar um claro aviso intimidatório às direcções e chefias dos órgãos de comunicação social a que preside.&lt;br /&gt;   Aqui, no PÚBLICO, fica Luís Delgado e os que lhe dão ordens desde já a saber que têm azar. Estejam ao serviço de Santana ou de outro qualquer poder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Alvarez, Luciano, Público, 13 de Outubro de 2004&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109774340451468920?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109774340451468920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109774340451468920' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109774340451468920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109774340451468920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/os-mtodos-e-os-avisos-de-lus-delgado.html' title='Os Métodos e os avisos de Luís Delgado'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109774276754778453</id><published>2004-10-14T09:28:00.000+01:00</published><updated>2004-10-14T09:32:47.546+01:00</updated><title type='text'>A Brutalidade de um Governo perigoso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;   As declarações do ministro Rui Gomes da Silva (sim, ele é ministro), de quem se conhece uma única qualidade em mais de 20 anos de actividade política - a fidelidade canina a Pedro Santana Lopes -, estão abaixo do zero aceitável em democracia. São a ponta do iceberg de que não veremos o resto: não é conveniente ao sistema e às pessoas envolvidas que se conheçam as pressões exactas sobre a TVI. Mas sabemos que houve pressão política do pior governo de sempre sobre um órgão de informação privado.&lt;br /&gt;   Em defesa dos accionistas, a TVI dificilmente faria outra coisa que não falar com Marcelo Rebelo de Sousa. E este não poderia fazer outra coisa senão afastar-se de imediato se quisesse manter a independência. Paes do Amaral não estaria à espera que Rebelo de Sousa reagisse frontalmente, fazendo explodir na praça pública o que tantas vezes políticos, organizações e mesmos jornalistas escondem dos leitores e espectadores, como o director do "Expresso" aceita com aterradora naturalidade (09.10).&lt;br /&gt;   Há alguns meses citei aqui um sociólogo de há um século, Ferdinand Tönnies: "A imprensa é livre, mas os jornalistas não". Quatro entidades da SIC - Alcides Vieira, Daniel Cruzeiro, Rita Ferro Rodrigues e Sofia Pinto Coelho - encheram então uma página do PÚBLICO escandalizando-se com a frase de 1922. "SOU LIVRE", escreveu, com maiúsculas, Rita, coitadinha. O caso Rebelo de Sousa comprova a evidência tantas vezes iludida sob as promessas de independência total dos órgãos de informação. A imprensa é livre, a TVI não. O discurso "ao país" de José Eduardo Moniz (TVI, 08.10) prometendo um futuro da informação da TVI igual ao passado foi patético, pois há uma semana estava lá Marcelo, hoje não.&lt;br /&gt;   Isto também é válido para os outros órgãos de informação e grupos económicos num país em que o governo é tentacular. Mas há atitudes, ou circunstâncias, que distinguem as pessoas. O proprietário deste jornal, Belmiro de Azevedo, recordou na Gala dos 12 anos da SIC (06.10) a necessidade da independência dos órgãos de informação. A sua intervenção foi importante porque ocorreu no mesmo dia em que rebentou o caso Marcelo e porque ele se dirigia a Francisco Pinto Balsemão que, na primeira fila da plateia, tinha a seu lado o próprio Santana Lopes, saneador de Marcelo.&lt;br /&gt;   Foi ele, Santana Lopes, quem, depois de Gomes da Silva, falou não uma mas duas vezes da saída de Rebelo de Sousa da TVI. Santana reiterou palavra por palavra o que antes dissera o seu fiel apaniguado: em resumo, que Marcelo estava a mais na TVI. Trata-se da mais grave intromissão directa e abertamente expressa por um primeiro-ministro de Portugal na liberdade de expressão, a primeira de todas as liberdades cívicas. Eu acho incompreensível que os órgãos de informação e comentadores não tenham sublinhado que Santana Lopes disse exactamente o mesmo que Gomes da Silva. A origem do problema não é Gomes da Silva, é Santana.&lt;br /&gt;   Este governo é perigoso. A sua actuação nos "media" é e será de enorme brutalidade. E resulta da orientação de Santana, como o PÚBLICO indicava num relato sobre o Conselho Nacional do PSD de 3 de Setembro (09.10). A criação da "central de comunicação" por iniciativa do chefe do governo revela a prioridade absoluta de intervir sobre os "media".&lt;br /&gt;   A forma como o governo impôs desavergonhadamente à maior empresa privada portuguesa, a PT, a nomeação de Luís Delgado para a administração da Lusomundo Media revela que Santana Lopes e o seu exército de "comunicação" não brincam em serviço: querem calar todas as vozes independentes e contrárias ao governo, onde quer que elas estejam.&lt;br /&gt;   A entrada de Delgado já motivou duas demissões, a de Henrique Granadeiro, pontapeteado indignamente a dois meses do termo do seu mandato, e a de Silva Peneda, que não foi informado, como obrigavam os estatutos da empresa, da apressada nomeação do factotum comunicacional de Santana.&lt;br /&gt;   Tal como Gomes da Silva, Delgado é apaniguado de Santana Lopes há longos anos, desde os tempos em que o próprio Santana tentou criar um grupo editorial para intervir politicamente, com o semanário "Liberal". Delgado não tem escrúpulos - começou a dizer mal do governo Barroso exactamente no momento em que a PT (então dirigida pelo PS) ajudou à fundação do seu "Diário Digital", mas, como Gomes da Silva, conhece-se-lhe apenas a fidelidade a Santana, de quem é conselheiro e público defensor nos seus artigos e intervenções na SICN, na RDP, no "Diário Digital" e no "DN", onde mantém espaços apesar de estar na administração da Lusomundo Media, proprietária do mesmo "DN".&lt;br /&gt;   É importante sublinhar que a estratégia de "comunicação" não está isolada do resto da acção do núcleo mais santanista do governo. Ele tentará manter enorme pressão sobre os "media" porque Santana e o seu grupo não querem mais nada da política. Para eles, vencer é manter-se na crista da opinião pública o máximo tempo possível. A governação é irrelevante. Há muita coisa a fazer no governo sem ser governar. Há interesses invisíveis. Daí que seja preciso alimentar os "media" com irrelevâncias, como Santana tem feito desde há 20 anos, e calar as vozes contrárias (o que, agora no governo, se torna vital para não quebrar o feitiço sobre a opinião pública e alguns e algumas jornalistas).&lt;br /&gt;   O núcleo do governo será "mole" em todas as áreas, como se viu nos casos da ponte do feriado e da Via do Infante, pois o que quer é manter-se o máximo tempo no activo; esse é o único factor de "unidade" dos membros do governo entre si. O governo só será "duro" numa área, a única que Santana conhece a fundo e que sempre significou o seu ganha-pão político: os "media". Estes são tempos tenebrosos para o país.&lt;br /&gt;   E o PS, será alternativa? Cautela também com ele. Armado em cordeiro nesta crise em torno do caso Marcelo, o PS fez avançar como porta-voz no parlamento o mesmo homem que durante anos representou a política comunicacional do guterrismo, também ela tentacular, semelhante à de Santana, talvez um poucochinho menos brutal e certamente menos desajeitada que a de Gomes da Silva e menos obsessiva que a de Santana.&lt;br /&gt;   Qual a credibilidade do PS socrático nas suas críticas se mantém a mesma postura e as mesmas pessoas? Não me esqueço que esse Arons de Carvalho enviou ao director do PÚBLICO uma carta na sua qualidade de secretário de Estado pressionando o meu afastamento destas páginas por delito de opinião. A carta foi publicada neste jornal. Gomes da Silva e Arons de Carvalho, a mesma luta. Santana e Sócrates, a mesma luta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;Torres, Eduardo Cintra,Público, 11 de Outubro de 2004.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109774276754778453?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109774276754778453/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109774276754778453' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109774276754778453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109774276754778453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/brutalidade-de-um-governo-perigoso.html' title='A Brutalidade de um Governo perigoso'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109774246184738470</id><published>2004-10-14T09:24:00.000+01:00</published><updated>2004-10-14T09:27:41.846+01:00</updated><title type='text'>Votados à ruína</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Votados à ruína&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os empregados por conta de outrem atingem em certos sectores a situação de neo-escravos desse outrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi por amor à  liberdade que o ser humano acabou com a escravatura: foi por poupança.&lt;br /&gt;   Quando manter um cativo se revelou mais dispendioso do que retribuir um contratado, o mundo pulou - e abriu-se à era dos assalariados.&lt;br /&gt;Não foi por amor à liberdade que as ditaduras cederam lugar às democracias: foi por negócio. Ao tornarem-se limitadores da expansão neocapitalista, os regimes totalitários colapsaram em cascata, como se viu (Portugal, Espanha, Grécia, Brasil, Chile, Argentina, Peru, Filipinas, Guiné, Urss, etc.) nos finais do século passado.&lt;br /&gt;   Esta visão da história, um pouco cínica, reconheça-se, ganha hoje ressonâncias alertadoras. Estamos, com efeito, a assistir, passada a euforia das referidas mudanças ( que impediu os contentinhos delas de perceberem os logros engendrados), ao emergir de outro ciclo, com dialéticas diferentes mas propósitos afins.&lt;br /&gt;   Os empregados por conta de outrem são-no cada vez menos atingindo (já) em certos sectores a situação de neo-escravos desse outrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Os regimes democráticos submergem, por sua vez, em ditaduras de minorias crescentes, porque somadas, como as do lucro selvagem, as da produtividade insaciável, as do consumo alienante, as do sucesso anestesiante.&lt;br /&gt;   O único poder que neles ainda se sufraga é o político, cada vez mais subjugado, aspirado, no entanto, pelo económico – no qual os cidadãos não metem prego nem estopa, isto é, votos em urnas.&lt;br /&gt;   A classe dominante (mais restrita e mais dominante) percebeu que o seu domínio se revela mais bem defendido por comunicadores «glamorosos» do que por polícias agressivos, por televisões de permissividades light do que por censores de pudicia beata, por subculturas padronizadas do que por analfabetismos impostos.&lt;br /&gt;   O país foi (foi-se) dividindo em duas «classes»: a dos integrados no sistema (os privilegiados dele) e a dos excluídos (excedentarizados) por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Subtil, um pensamento único (vá lá, dois «pensamentos únicos») cobre tudo e todos – quase tudo e todos. Os cobertos defendem-se dos outros ( com a visão afectada por isso), rotulando-os de «pessimistas» (outrora designavam-nos de subversivos), depreciando-os de incapazes e falhados, insinuando-os de invejosos e venenosos, maneira da sua boa consciência não ficar de pernas para o ar; de pernas para o ar fica a democracia que, se se livrou dos ditadores de outrora, não escapou dos padrinhos da actualidade, totalitários na corrupção, na atracção, na convicção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Os regimes que proliferam à nossa volta deixaram de assentar em poderes de alternância para assentar «em poderes», dizia Júlio Pinto, «de alterne». A manipulação permitida pelas hipertecnologias ( há televisões que elegem, afirmam, presidentes da República) coloca – como na semana passada muito lucidamente comentava Iva Delgado no programa de Simone na TV-Mulher- o mundo a jeito de ditaduras alcançáveis por voto, por terrorismo, por demagogia, por coacções de imprevisíveis consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O dilatar do neo-esclavagismo (cerca de 900 mil a mais anualmente) que se observa, veja-se a maneira como são tratados os imigrantes, é indiciador disso. «Um ser humano sem personalidade jurídica» é um objecto transaccionável, lembra Luís Salgado Matos. «Reter os seus documentos é uma maneira de o fazer escravo».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   As perversões do comunismo observadas na URSS e na China, na Albânia e em Cuba deram álibis irreversíveis para o fim da guerra fria e o início da globalização com que os novos imperialismos aquecem presentemente as liberdades no globo.&lt;br /&gt;Os beneficiados da situação continuam, entretanto, a dançar, sorridentes, entre os seus privilégios de lobby, os seus topos de gama, os seus cartões doirados, os seus yes men, os seus cargos cativos, calcando displicentemente, paternalisticamente ( as «rescisões amigáveis» de empregos que o digam) os desafinadores dos acordes da sua música de falsete: «Money, Money, Money, mon, m…»&lt;br /&gt;   Shopenhauer, o maior pessimista da Europa (influenciou entre nós alguns dos melhores de nós como, nos finais do século XIX, os Vencidos da Vida) nunca teve papas na língua no provocar-nos: «A raça humana está de uma vez por todas votada à ruína.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Dacosta, Fernando, “Votados à ruína”, Visão, 28 de Agosto de 2003, p.114&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109774246184738470?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109774246184738470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109774246184738470' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109774246184738470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109774246184738470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/votados-runa.html' title='Votados à ruína'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109766059685793242</id><published>2004-10-13T10:40:00.000+01:00</published><updated>2004-10-13T10:43:16.856+01:00</updated><title type='text'>Tanto Mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Luís Nobre Guedes foi no início deste Governo um ministro controverso. Enviaram-no para uma pasta, a do Ambiente, em que não se lhe conhecia a menor preparação: nem duas linhas, nem uma ida a um congresso, nem uma manifestaçãozinha na rua para defender uma espécie em vias de extinção. Veio-se a saber que afinal pertencia a diversas empresas ligadas ao sector na qualidade de advogado. Isso não lhe dá - ao contrário do que pretendiam os zeladores da ortodoxia - a menor competência profissional na área do Ambiente, mas concede alguma oportunidade de ouvir determinadas palavras na matéria.&lt;br /&gt;Teve o azar de lhe cair em cima a questão do incêndio da Galp, elaborando, reconheça-se, com discernimento uma comissão que em pouco dias, e com assinalável limpeza, chegou a conclusões comprometedoras. Mas o modo célere como resolveu o assunto - amplamente elogiado pelo CDS-PP - provocou grande incómodo no Governo, e em particular em Álvaro Barreto. Este declarou que lamentava que Nobre Guedes não tivesse esperado mais três dias.&lt;br /&gt;Como sublinhou Miguel Sousa Tavares, estes três dias são um mistério. Três dias, para quê? Para apagar o fogo? Numa decisão de uma extraordinária imparcialidade, o primeiro-ministro passou o "dossier" para as mãos de Álvaro Barreto, que teve a extraordinária afirmação de que para ele um inquérito nunca está concluído. A afirmação é metafisicamente interessante, mas coloca o problema de sabermos se nesse caso vale a pena criar comissões de inquérito. Luís Nobre Guedes terá perdido em termos de relações de força, mas ganhou em simpatia. Com as anunciadas demolições na Arrábida e na Costa Vicentina (que se prepara para ser devastada pela construção civil), Nobre Guedes tem agora um capital de prestígio.&lt;br /&gt;Mas isto não nos pode fazer esquecer que Nobre Guedes trabalhava para 28 empresas. Era administrador de três, secretário de duas, gerente de três e presidente da mesa da assembleia geral de 20! A gente interroga-se se o país não tem outras pessoas para desempenhar estas funções. Porque o que se prova aqui (e basta vermos o que vem nos jornais todos os dias) é que o mesmo núcleo de pessoas circula de empresa para empresa e de empresa para cargo público e de cargo público para empresa. São sempre os mesmos, uma elite de privilegiados que, ganham, para além das mordomias inerentes, na ordem dos 4000 euros por mês (Nobre Guedes declarou para 2003 a quantia de 457.688 euros). E quando se está ligado a 28 empresas, será que as conseguimos distinguir? Não corremos o risco de baralhar os nomes, como qualquer Dom Juan de telenovela brasileira? Agora que é ministro, parece que Nobre Guedes ainda arranja uns tempinhos disponíveis para se ocupar apenas de 21 empresas, uma vez que se terá desvinculado de sete. Um pavor. Ainda há quem pense que rico não sofre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Coelho, Eduardo Prado, Público, 22 de Setembro de 2004.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109766059685793242?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109766059685793242/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109766059685793242' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109766059685793242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109766059685793242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/tanto-mar.html' title='Tanto Mar'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109766027189583151</id><published>2004-10-13T10:32:00.000+01:00</published><updated>2004-10-13T10:37:51.896+01:00</updated><title type='text'>Os Americanos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os Americanos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nos tempos que correm, não existe acusação mais banalizada, na nossa imprensa, do que a de antiamericanismo. Ela dirige-se, por igual, a todos os que não veneram os Estados Unidos da América ou a todos os que, admirando a América, não dispensam um olhar mais atento e crítico sobre os seus feitos e defeitos. E parte daqueles que descobriram uma recente e irresistível vocação para uma admiração acrítica pelos americanos que, frequentemente, revela nada mais do que um pensamento indigente e subserviente, na simultânea arrogância e ignorância que revela. São dignos de dó: nem sequer sabem que os americanos têm tão-pouco respeito pelos seus lambe-botas quanto o têm pelos seus inimigos declarados. No que de melhor têm, os americanos respeitam sim os que são capazes de elogiar as suas qualidades e não deixarem, por isso mesmo, passar em claro os seus abusos. Têm, por exemplo, mais respeito pelos que lhes dizem na cara que a situação dos presos de Guantanamo é intolerável num Estado de direito e numa democracia, do que o têm por políticos como Durão Barroso, cujo perfil de subserviência militante ficou penosamente retratado nas imagens da triste Cimeira das Lajes - a cimeira da propaganda e da mentira.&lt;br /&gt;Existem várias Américas, o que torna a acusação de antiamericanismo estúpida em si mesma. A América de George Walker Bush é apenas a face de uma América, hoje porventura maioritária, mas jamais fundível ou representativa dos valores que formaram o carácter e fizeram a história da grande nação americana. Bush é apenas um servidor dos profetas da extrema-direita americana, que acreditam que a América é o modelo universal e definitivo das virtudes políticas e morais a quem Deus cometeu o encargo de exportar a sua doutrina, pela força se necessário, através do mundo inteiro. Por isso, tudo o que surja no caminho que possa contrariar a afirmação da força liderante da América deve ser extirpado, como um mal absoluto. Não apenas os inimigos ou concorrentes externos, mas também os obstáculos internos: devem ser apoiados os ricos que criam riqueza e não os pobres que só aspiram a viver parasitariamente dum sistema de segurança social semelhante ao que os europeus construíram; devem ser afastadas - recorrendo à sistemática falsificação de dados científicos em relatórios oficiais - todas as limitações de carácter ambiental, que mais não são do que um entrave ao desenvolvimento da indústria e à prosperidade das empresas; e não deve ser tolerado o que se entende por vícios, que ofendem a moral pública dominante, mesmo se praticados longe do olhar e do conhecimento alheio, mesmo se praticados pelo próprio Presidente, na intimidade do seu escritório privado na Casa Branca - desde que o Presidente seja democrata e não comungue destes valores.&lt;br /&gt;Os que se preocupam com a América não se preocupam apenas com a deturpação progressiva dos valores de referência da América, substituídos por um católogo de supostas verdades e virtudes que, se olharem com atenção, em nada difere do catolicismo salazarista: há sempre, nestes cíclicos regressos aos "bons velhos valores", qualquer coisa de bafiento e sinistro. Os que se preocupam com a América não podem também deixar de se preocupar com o facto de o executor destas políticas ser o sr. George Walker Bush. Porque a América é o país liderante, a única superpotência restante e, como tal, o mundo não pode deixar de olhar com apreensão uma América dirigida por um presidente notoriamente inculto e ignorante, incapaz de compreender ou de se interessar por qualquer coisa para além dos dogmas básicos de vida em que acredita qualquer camionista do "cowboy country", mas capaz, inversamente, de mentir sem remorsos para salvaguardar as verdades que apregoa. Como faz em relação ao ambiente, como faz em relação às questões sociais, como fez em relação ao Iraque. A ignorância e a má-fé dos grandes são um perigo em si mesmas. Não saber onde fica a Croácia ou que o Brasil tem pretos é preocupante para quem lidera o mundo; saber que o Iraque não tem armas de destruição maciça e mentir deliberadamente sobre isso para justificar uma guerra de conquista não é apenas imoral, é perigoso, como se está ver e como melhor ainda se irá ver no futuro.&lt;br /&gt;Num artigo ontem aqui escrito, Pacheco Pereira reflectia sobre a inegável impreparação revelada pelos americanos para o pós-guerra no Iraque. Reconhecendo o óbvio, ele recusa-se contudo a retirar daí a lição correspondente, ao contrário do que fez, por exemplo, quando da guerra contra a Sérvia, onde, e bem, criticou uma iniciativa militar sem "follow-up" político à vista. Agora, face ao desastre patente no Iraque, escreve ele: "Os países europeus que estão numa deriva antiamericana correm logo a apontar o dedo e a dizer: 'Nós bem avisámos.' Não avisaram nada..." Eis de novo a estafada acusação da "deriva antiamericana", confundido antiamericanismo com a oposição a uma política externa de uma administração de extrema-direita, cujos resultados dividem ao meio a própria opinião pública americana e são, até ver, um total desastre no balanço entre os objectivos anunciados e os efeitos alcançados.&lt;br /&gt;Mas Pacheco Pereira anda muito amnésico: alguns países europeus avisaram sim para os perigos de uma intervenção militar que tinha como único objectivo garantido e alcançável o derrube de Saddam Hussein. Avisaram países europeus, avisou a Rússia e a China, avisaram os países árabes moderados, avisaram personalidades de relevo e experiência diplomática dos próprios Estados Unidos e avisaram, entre nós, alguns, logo rapidamente esconjurados como "antiamericanos" pelo Pacheco Pereira e pelos furiosos editorialistas do "Diário de Notícias" ou do "Expresso". Seria aliás interessante, se tudo isto não fosse, como sempre, a feijões, recuperar os textos de uns e de outros, anteriores à guerra, e confrontá-los agora com a realidade dos factos, despida do manto da propaganda.&lt;br /&gt;Entre outras coisas, os que avisaram, os "antiamericanos" à deriva, avisaram para quatro coisas concretas e fundamentais: 1 - que a guerra era ilegítima porque não tinha mandato das Nações Unidas e fundava-se numa invocada ameaça por provar, a da existência de armas de destruição maciça no Iraque; 2- a de que a guerra não contribuiria em nada para o combate ao terrorismo, antes o iria agravar, fornecendo-lhe novos pretextos e novos militantes; 3 - a de que iria tornar mais difíceis e mais tensas as relações entre o mundo árabe e muçulmano e o Ocidente e, em particular, piorando a situação na Palestina; 4 - que os Estados Unidos estavam totalmente impreparados para o pós-guerra no Iraque e dispunham apenas de um punhado de ideias feitas que os convenciam que seriam recebidos como libertadores e rapidamente instaurariam a democracia e a prosperidade entre todas as nações iraquianas. Isto mesmo, sem tirar nem pôr, foi escrito pela revista americana "Newsweek", num longo trabalho de análise, cerca de um mês antes da guerra. Sim, houve avisos, concretos e bastantes. Só não os escutou quem, arrastado pela deriva da moda do americanismo primário, se dispensou de pensar pela própria cabeça, preferindo as verdades feitas e o maniqueísmo simplista dos "bons contra os maus" às interrogações e dúvidas legítimas e pertinentes.&lt;br /&gt;Não é verdade que, como escreveu Pacheco Pereira, a América esteja sozinha na luta antiterrorista. Foram presos mais membros da Al-Qaeda na Europa, desde o 11 de Setembro, do que o foram nos Estados Unidos ou pelos americanos. A América está sozinha é na sua pretensão de decidir quem são os terroristas, como e quando devem ser combatidos e só se lembrar que tem aliados quando as coisas se revelam mais complicadas do que suas expectativas. Está sozinha nisso como está sozinha nos seus ditames de força contra as Nações Unidas, na denúncia unilateral de convenções internacionais para o combate à poluição ou ao aquecimento global, na recusa de aceitar as regras do Tribunal Penal Internacional, excepto contra os outros, na forma deliberada como faz arrastar o conflito do Médio Oriente, no tratamento que dá aos presos de Guantanamo, na violação sempre que lhe convém das regras do comércio internacional por si própria estabelecidas, enfim, em tudo o que caracteriza os princípios de convivência em pé de igualdade de direitos e obrigações duma sociedade de nações.&lt;br /&gt;A actual administração dos Estados Unidos não reclama igualdade mas sim privilégios e vassalagem. Há quem ache isto natural e legítimo e não se importe de marchar atrás, seja para bombardear os céus de Belgrado e da Sérvia dois meses a fio, destruindo todas as infra-estruturas do país, já ninguém se lembra para quê ou com que objectivo, seja para invadir o Iraque com os resultados que estão à vista. Também outrora Álvaro Cunhal anunciava aos crentes que a URSS era o farol da terra e muita gente marchava atrás. Há sempre um exército de crentes disponíveis para legitimar as grandes mentiras da história&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Tavares, Miguel de Sousa, Público, 5 de Setembro de 2003&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109766027189583151?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109766027189583151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109766027189583151' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109766027189583151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109766027189583151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/os-americanos.html' title='Os Americanos'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109765960101284722</id><published>2004-10-13T10:21:00.000+01:00</published><updated>2004-10-13T10:26:41.013+01:00</updated><title type='text'>Central de Intoxicação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a name="topo"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Central de Intoxicação &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A inteligência fulgurante do ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, brindou-nos anteontem com um grandioso contributo para o anedotário político da "rentrée". Furibundo, espumando de raiva e vermelho de indignação, atirou-se à suposta parcialidade dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, que, por razões de "ódio" ao actual primeiro-ministro passa os seus 45 minutos dominicais de opinião política a atacar o Governo. Chega ao ponto de criticar o silêncio da Alta-Autoridade para a Comunicação Social por não exigir o contraditório aos comentários de Marcelo.&lt;br /&gt;As palavras apatetadas deste ministro dariam para rir noutras circunstâncias, e muito. Mas, nos dias que correm, devem ser levadas muito a sério. Este senhor, talvez mais incauto ou tão-só mais arrogante que outros, exemplifica o espírito de intolerância reinante na actual maioria, em particular no PSD, e a noção que os seus actuais dirigentes têm da liberdade de opinião. Nem os próprios militantes do PSD que não sejam suficientemente alinhados com a liderança do partido escapam já à sua fúria censória.&lt;br /&gt;As críticas do tal Gomes da Silva a Marcelo não são isoladas. Há já algum tempo que o Governo desencadeou uma operação de controlo de uma parte do espaço mediático, território decisivo para as batalhas eleitorais que se avizinham, procurando concretizar uma velha estratégia de alguns dos "jovens turcos" que mandam no partido e que vem dos tempos da ascensão de Durão Barroso. Essa estratégia passa por controlar editorialmente um diário nacional de grande expansão, a televisão pública e os restantes órgãos de comunicação estatizados ou que se encontram debaixo do chapéu de chuva da PT Multimédia, para gerir em vantagem o ciclo político que vai até 2006 e em que o PSD quer ter condições para chegar sozinho à maioria absoluta. Como as medidas de Governo podem não chegar, venha a propaganda.&lt;br /&gt;Mais do que a central de comunicação criada ao nível de uma direcção-geral, o que o Governo quer é uma central de intoxicação e está a trabalhar para isso.&lt;br /&gt;Esta operação de controlo editorial da comunicação social estatizada ou sob influência privilegiada do Estado teve uma espécie de tiro de partida com o saneamento político de Henrique Granadeiro, ex-administrador da PT Multimédia e militante do PSD há muitos anos. Bom gestor e conhecedor do negócio específico da comunicação social, Granadeiro nunca foi conhecido em lado nenhum por interferir nos conteúdos editoriais, o que, nas actuais circunstâncias, é um pecado. Por isso foi literalmente "despachado" ante o silêncio geral de todos quantos, partidos de oposição incluídos, parecem não ter entendido o alcance da mudança.&lt;br /&gt;Mas as novidades podem não ficar por aqui. Resta saber até que ponto vão resistir ao vendaval as estruturas de chefia de alguns títulos manifestamente não alinhados politicamente (e de outros já alinhados mas não o suficiente...) ou se alguns operadores privados, em particular televisões, não serão empurrados para um comportamento dócil, se quiserem fazer negócios, na televisão por cabo ou na rede de televisão digital terrestre. Fica ainda por saber se esta "berlusconização estatal" vai concretizar-se sem escrutínio público, em particular, da Assembleia da República, e se não entra no cardápio das preocupações do Presidente da República. É que, se nada se passar, então é porque chegámos mesmo à Madeira!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Dâmaso, Eduardo, Público, 6 de Outubro de 2004&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109765960101284722?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109765960101284722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109765960101284722' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109765960101284722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109765960101284722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/central-de-intoxicao.html' title='Central de Intoxicação'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109765929544176079</id><published>2004-10-13T10:14:00.000+01:00</published><updated>2004-10-13T10:21:35.440+01:00</updated><title type='text'>Que Miséria- Mira Amaral</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a name="topo"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Que Miséria! &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O engenheiro Mira Amaral diz-se cansado das lides político-partidárias e tem toda a razão, coitado, aquilo é coisa de muita canseira, de muito desgaste - e de poucas, oh! tão poucas compensações. Uma pessoa entrega-se de alma e coração, passa uma vida a servir o bem público, deixa para trás carreiras profissionais e projectos de enorme futuro, dá-se, literalmente dá-se, ao país, e no fim o que é que recebe? Nada. Quase nada. Umas palavrinhas de circunstância, um louvor no "Diário da República", pouco mais. Uma pessoa gasta os seus melhores e mais produtivos anos metida em cargos exigidos pela "vida político-partidária" e no fim sai de lá como? Sem nada. Quase com uma mão à frente e outra atrás. É naturalíssimo que uma pessoa se canse...&lt;br /&gt;E o engenheiro Mira Amaral cansou-se. Ao fim de tantos anos de ministro e de gestor público, diz agora que não tem mais disponibilidade para a vida político-partidária. Então ele entregou-se todo ao país e o país só lhe dá uma reformazita de 18.000 euros por mês!... Uma bagatela de 3600 contos por mês, ele que ainda está cheio de força para trabalhar, ele que ainda tanto tem a dar a quem precise dos seus préstimos! Com apenas 58 anos de idade, sentiu-se prematuramente obrigado (cansaço, lá está...) a pedir a reforma e recolhe a casa com uma pensãozita de 3600 contos. Só 3600 contos por mês até ao fim da vida, ele que se devotou à causa pública durante anos e anos, ele que sacrificou uma carreira profissional brilhante à vida político-partidária!&lt;br /&gt;E agora, que vai fazer o engenheiro Mira Amaral, com essa reformazita no bolso como única compensação por tanto sacrifício? Sim, que vai ele fazer? É que a vida está cara, há rendas para pagar, filhos para criar, compras para fazer, comer todos os dias, e roupa, e livros, e carros, e telefone, água, luz, etc., etc., para que é que chegam uns míseros 3600 contos por mês? E depois, com 58 anos, ainda não é um homem inválido, longe disso, ainda pode muito bem trabalhar, mas com essa idade às tantas já não é fácil arranjar emprego, para mais atendendo à sua indisponibilidade para a vida político-partidária, às tantas vai ter que se contentar com um cargozito de "assessor" ou de "consultor" de algum grande banco, vejam lá, "assessor", "consultor", se calhar a ganhar só dois ou três mil contos por mês, ele que foi ministro tantos anos, ele que foi presidente da Caixa durante quase dois anos!, ele que ganhava para aí cinco mil contos, e agora a reforma de três mil e seiscentos, aos 58 anos, e talvez um gabinete de "consultor", aos 58 anos, e talvez uma vida de apertos, aos 58 anos, tudo graças à malfadada vida político-partidária a que com tanta generosidade e desprendimento se entregou durante uma vida.&lt;br /&gt;Razão tem o ministro Bagão Félix: isto é obsceno. País mal agradecido, que não sabe recompensar com justiça os seus mais esforçados e abnegados servidores! E depois ainda nos admiramos que eles se cansem da vida político-partidária... Com estas pensões de miséria, quem é que não se cansaria?...&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fidalgo, Joaquim, Público, 22 de Setembro de 2004&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109765929544176079?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109765929544176079/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109765929544176079' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109765929544176079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109765929544176079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/que-misria-mira-amaral.html' title='Que Miséria- Mira Amaral'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109724633930580448</id><published>2004-10-08T15:36:00.000+01:00</published><updated>2004-10-08T15:38:59.306+01:00</updated><title type='text'>Utopias</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vamos pôr os nossos olhos para além da infâmia, de modo a descortinar um outro mundo possível. Um mundo onde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar esteja isento de qualquer veneno que não decorra dos temores humanos e das paixões humanas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde, nas ruas, os automóveis sejam esmagados pelos cães;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde as pessoas não sejam conduzidas pelo automóvel, nem programadas pelo computador, nem compradas pelo supermercado, nem vistas pela televisão;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde o televisor deixe de ser o membro mais importante da família, passando a ser tratado como o ferro de engomar ou a máquina de lavar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde as pessoas trabalhem para viver em vez de viverem para trabalhar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde se inclua no Código Penal o delito de estupidez, delito esse cometido pelos que vivem para possuir ou para ganhar, em vez de viverem, muito simplesmente, para viver, tal como o pássaro canta sem saber que canta e a criança brinca sem saber que brinca;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde não se prendam os jovens que se recusem a fazer o serviço militar, mas sim os que queiram fazê-lo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde os economistas deixem de chamar nível de vida ao nível de consumo, deixando de chamar qualidade de vida à quantidade de coisas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde os chefes de cozinha já não pensem que as lagostas adoram ser fervidas vivas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde os historiadores não pensem que os países ficam deleitados quando são invadidos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde os políticos não julguem que os pobres se sentem encantados por andarem a ser sustentados com promessas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a solenidade deixe de acreditar que é uma virtude e ninguém leve a sério o indivíduo incapaz de se rir de si mesmo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a morte e o dinheiro percam os seus poderes mágicos e o falecimento ou a fortuna não transformem qualquer canalha num homem cheio de virtudes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde ninguém seja considerado herói ou imbecil por fazer o que pensa ser justo em vez de fazer o que mais lhe convém;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde o mundo já não esteja em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a única solução da indústria de armamento consista em abrir falência;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde o alimento não seja uma mercadoria e a comunicação um comércio, pelo facto de o alimento e a comunicação serem direitos humanos;&lt;br /&gt;Onde ninguém morra de fome porque ninguém morre de indigestão;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde as crianças de rua deixem de ser tratadas como lixo, por ter deixado de haver crianças de rua;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde as crianças ricas deixem de ser tratadas como se fossem dinheiro, por ter deixado de haver crianças ricas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a educação não seja o privilégio daqueles que a podem pagar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a polícia não seja a maldição dos que não a podem comprar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas, sejam de novo reunidas e passem a andar ombro a ombro;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde uma mulher negra seja presidente do Brasil e uma outra mulher negra seja presidente dos Estados Unidos; onde uma índia governe a Guatemala e uma outra o Peru;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde, na argentina, as loucas da Praça de Maio sejam um exemplo de saúde mental, por terem recusado o esquecimento no tempo da amnésia obrigatória;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a Santa Madre Igreja corrija os erros das Tábuas de Moisés e o sexto mandamento ordene que se festeje o corpo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a Igreja dite um outro mandamento que Deus tinha esquecido: «Amarás a Natureza, de que fazes parte»;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde os desertos do mundo e os desertos da alma sejam reflorestados;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde se deposite esperança nos desesperados e os perdidos sejam reencontrados, por haverem sido eles que de tanto esperar desesperaram e de tanto procurar se perderam;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde sejamos compatriotas e contemporâneos de todos quantos quiserem a justiça e a beleza, independentemente dos sítios onde tenham nascido e do tempo em que hajam vivido, não se atribuindo importância nenhuma às fronteiras da geografia ou do tempo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a perfeição continue a ser enfadonho privilégio dos deuses, mas onde, neste mundo insano e perdido, cada noite seja vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Galeano, Eduardo, Le Monde Diplomatique, Setembro, 2004.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109724633930580448?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109724633930580448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109724633930580448' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109724633930580448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109724633930580448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/utopias.html' title='Utopias'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109724612930328548</id><published>2004-10-08T15:32:00.000+01:00</published><updated>2004-10-08T15:35:29.303+01:00</updated><title type='text'>Medidas de George W. Bush no poder...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Medidas de George W. Bush&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que chegou ao poder conseguiu, tomar estas brilhantes decisões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;br /&gt;Cortou 39 milhões de dólares na despesa federal com bibliotecas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 35 milhões no financiamento da formação de médicos pediatras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 50 por cento no financiamento para investigação de novas fontes de energia renovável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiou as leis de redução dos níveis «aceitáveis» de arsénico na água potável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 28 por cento no financiamento de investigação de carros menos poluidores e de mais baixo consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revogou leis que fortaleciam o poder do governo para recusar contratos de empresas que violam as leis federais, leis ambientais e a segurança no local de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permitiu que a secretária do Interior, Gale Norton, propusesse a abertura de monumentos nacionais para florestação, prospecção mineira de carvão e prospecção de petróleo e de gás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrou a sua promessa eleitoral de investir 100 milhões por ano na conservação da floresta tropical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reduziu em 86 por cento o Community Acess Program, que coordenava o tratamento de pessoas sem seguro de saúde entre hospitais públicos, clínicas e outros prestadores de serviços de saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anulou uma proposta para aumentar o acesso público a informação sobre potenciais ramificações de acidentes químicos em fábricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 60 milhões no financiamento do Girls and Boys Clubs of América.( programa nacional destinado a crianças socialmente desprotegidas. Promove a ocupação de tempos livres na área da educação, meio ambiente, saúde, artes, desporto, orientação profissional e prevenção da gravidez, das drogas e da criminalidade juvenil)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirou-se do Protocolo de Quioto de 1997 sobre aquecimento global, que acabou por ser assinado por 178 países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rejeitou um acordo internacional para pôr em prática o tratado de 1972 para banir armas bacteriológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 200 milhões aos programas de formação de mão-de-obra para trabalhadores deslocados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 200 milhões no subsídio à Childcare and Development, um programa que presta assistência a crianças de famílias de baixos recursos quando lhes é retirada a pensão do Estado e têm de ir trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliminou a comparticipação a funcionários federais nas receitas de contraceptivos ( embora o Viagra ainda seja comparticipado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 700 milhões nos financiamentos a reparações de habitações sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 500 mil milhões de dólares ao orçamento da Agência para a Protecção Ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrubou as leis ergonómicas no local de trabalho destinadas a proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonou a promessa eleitoral de regulamentar as emissões de dióxido de carbono, grande responsável pelo aquecimento global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proibiu qualquer ajuda federal a organizações internacionais de planeamento familiar que ofereçam aconselhamento sobre aborto, encaminhamento ou serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou o ex-executivo da empresa mineira Dan Lauriski vice- secretário do Trabalho para a segurança nas Minas e Saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou Lynn Scarlett, uma céptica do aquecimento global e opositora a padrões mais rigorosos de diminuição da poluição do ar, subsecretária do Interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprovou o controverso plano da secretária do Interior, Gale Norton, para vender em leilão áreas próximas da costa oriental da Florida para exploração de gás e de petróleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anunciou os seus planos para permitir a prospecção de petróleo na floresta nacional Lewis and Clark, em Montana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ameaçou encerrar o Gabinete da sida da Casa Branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu prescindir da orientação da Associação Americana de Magistrados sobre consultas judiciais federais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negou financiamento universitário a estudantes condenados por delitos menores de droga (embora criminosos condenados ainda usufruam de ajuda financeira).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atribuiu apenas 3 por cento da quantia pedida pelos advogados do Departamento de Justiça no litígio continuado do governo contra as tabaqueiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplicou uma parte dos nossos impostos de maneira a que 43 por cento beneficiem um por cento dos americanos mais ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinou uma lei que torna mais difícil aos americanos pobres e da classe média declararem insolvência, mesmo quando enfrentam contas médicas astronómicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou o opositor do Afirmating Action Program *, Kay Cole James para dirigir o Gabinete de Gestão de Pessoal. (* Programa existente em diversas instituições americanas com o fim de combater a discriminação e promover a identificação de minorias étnicas, mulheres, deficientes, etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortou 15,7 milhões aos programas que tratam de abuso e negligência de crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propôs a eliminação do Programa Ler é Fundamental, que dá livros a crianças pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forçou o desenvolvimento de «miniarmas nucleares» destinadas a atacar alvos profundamente enterrados – uma violação do Tratado Abrangente de Banimento de Testes Nucleares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou inverter a regulamentação que protege 2500 milhões de ares de floresta nacional do abate de árvores e da construção de estradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou John Bolton, opositor  dos tratados de não- proliferação de armamento e das Nações Unidas, subsecretário de Estado para Controlo de Armamento e Segurança Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornou a executiva da Monsanto, Linda Fisher vice- administradora da agência de Protecção Ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou Michael McConnell, crítico da separação da Igreja do Estado, juiz federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou o opositor dos direitos civis Terrence Boyle juiz federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cancelou a data- limite de 2004 para fabricantes de automóveis desenvolverem protótipos de carros de elevada  quilometragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou John Walters, um fervoroso opositor dos programas de tratamento de toxicodependência nas prisões, director da National Drug Control Policy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou J. Steven Giles, o elemento do grupo de pressão do petróleo e do carvão, vice-secretário do Interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou Bennett Raley, que pediu a rejeição da Lei de Espécies Ameaçadas, secretário-adjunto do Interior para a Água e Ciência .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou cancelar o processo colectivo apresentado nos Estados Unidos contra o Japão por mulheres asiáticas forçadas a trabalhar como escravas  sexuais durante a Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomeou procurador-geral Ted Olson, o seu advogado principal no fracasso eleitoral da Florida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propôs-se facilitar a construção de refinarias e barragens nucleares e hidroeléctricas, incluindo a redução dos padrões de protecção ambientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propôs a venda de áreas de petróleo e gás na Reserva de Vida Selvagem do Alasca.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Moore, Michael, Brancos Estúpidos, Temas e Debates- Actividades Editoriais Lda, Lisboa, Janeiro de 2004.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109724612930328548?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109724612930328548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109724612930328548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109724612930328548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109724612930328548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/10/medidas-de-george-w-bush-no-poder.html' title='Medidas de George W. Bush no poder...'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109517104241693221</id><published>2004-09-14T14:42:00.000+01:00</published><updated>2004-09-14T15:10:42.420+01:00</updated><title type='text'>Mais do mesmo...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na passada quinta-feira, 9 de setembro de 2004, surge-nos, nas páginas interiores (como convém!) de um jornal de referência nacional, neste caso o Público a seguinte notícia:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="topo"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Modelo Continente Triplicou Lucros &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(...)&lt;strong&gt;O lucro da Modelo Continente triplicou no primeiro semestre do ano, face a período homólogo do ano anterior, fixando-se em 32 milhões de euros, anunciou ontem a empresa&lt;/strong&gt;.(...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No mesmo suplemento de economia, aparece também a interessante notícia:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"&lt;strong&gt;O número de desempregados inscritos nos centros do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) aumentou 6,9 por cento em Agosto&lt;/strong&gt;, face a igual mês de 2003, informou ontem o Ministério das Actividades Económicas e do Trabalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(...)Por outro lado, em evolução mensal, face a Julho, o desemprego registado subiu 0,8 por cento, para 449.764 pessoas. (...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Porém, se nos detivermos um pouco mais no dito suplemento poderemos ainda constatar a &lt;strong&gt;profunda preocupação demonstrada pelo ILEGÍTIMO( &lt;/strong&gt;do ponto de vista das urnas e da dita soberania popular)&lt;strong&gt; primeiro ministro de Portugal- Pedro Santana Lopes, no que respeita ao aumento de ordenados dos trabalhadores&lt;/strong&gt;, quando afirmou que:  "as debilidades orçamentais não nos permitem prever grandes crescimentos reais nos salários".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Segundo o autor da peça jornalística, não se ficou por aqui: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"E voltou a criticar a proposta de base de um aumento de 4,2 por cento para a função pública que os sindicatos foram avançando, porque "continuam a faltar" compromissos "para o crescimento da produtividade". "&lt;strong&gt;Não podemos distribuir o que não existe, temos de criar mais riqueza", afirmou Santana Lopes.&lt;/strong&gt; "&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pois, pois...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Está-se mesmo a ver para quem é que vai a riqueza, não é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Belmiro de Azevedo &amp; companhia, devem andar contentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os outros... AGUENTEM-se!!! Santa Hipocrisia!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109517104241693221?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109517104241693221/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109517104241693221' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109517104241693221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109517104241693221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/mais-do-mesmo.html' title='Mais do mesmo...'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109515613939339431</id><published>2004-09-14T10:57:00.000+01:00</published><updated>2004-09-14T11:14:16.666+01:00</updated><title type='text'>Portugal: o paradigma da justiça social</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;PT Duplica Lucro para 322,5 Milhões de Euros no Primeiro Semestre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A maior empresa de telecomunicações portuguesa, &lt;strong&gt;a Portugal Telecom (PT), viu o lucro mais do que duplicar no primeiro semestre deste ano face ao período homólogo de 2003, totalizando 322,5 milhões de euros&lt;/strong&gt;, um resultado que o presidente da instituição, Miguel Horta e Costa, diz confirmar o "perfil de crescimento" da operadora. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Apesar do &lt;strong&gt;lucro da PT ter subido 124,8 por cento - de 143,5 milhões para 322,5 milhões de euros&lt;/strong&gt; -, as receitas da operadora cresceram apenas 7,4 por cento para 2,920 mil milhões de euros. &lt;strong&gt;O grande "salto" do lucro poderá explicar-se assim&lt;/strong&gt;, em parte, pelo facto de no primeiro semestre deste ano ter havido resultados extraordinários superiores a 10 milhões de euros, contra resultados extraordinários negativos de 283,3 milhões de euros no período homólogo, dos quais &lt;strong&gt;278 milhões de euros referentes a custos com redução de pessoal.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;strong&gt;os resultados sairam no intervalo superior das estimavas dos analistas&lt;/strong&gt; contactados pela Reuters - que apontavam para um lucro entre 272 e 321 milhões de euros - e mereceram a apreciação positiva do mercado, especialmente face ao desempenho da telefonia fixa, cujas receitas de exploração foram melhor que o esperado, ao recuarem apenas 2,3 por cento para 1,123 mil milhões de euros. Ainda assim, as acções tiveram uma valorização modesta de 0,24 por cento, com os investidores a demonstrar alguma desilusão por, ao contrário do que se esperava, não terem sido avançados detalhes sobre a política de dividendos para este ano.(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…)&lt;strong&gt;Horta e Costa reafirmou ainda a intenção da PT de prosseguir com o plano de pré-reformas e reformas antecipadas conforme já foi anunciado, prevendo para este ano a saída de 500 pessoas. O grupo, recorde-se, admite a saída de 1.000 a 1.500 pessoas entre 2004 e 2005, num universo de 15.314 trabalhadores em Portugal. &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O motor de crescimento das receitas do grupo em Portugal continua a ser a rede móvel e a PT Multimédia (PTM). O volume de negócios da TMN cresceu 5,5 por cento, para 754,6 milhões de euros, enquanto o da PT Multimédia subiu 10,4 por cento, para 360,1 milhões de euros. No Brasil, as receitas da Vivo cresceram 22,7 por cento, para 722,2 milhões de euros.&lt;br /&gt;A TMN no final de Junho tinha 4.872 clientes activos, mais 8,1 por cento que no semestre homólogo, tendo-se verificado um recuo de 3,5 por cento no ARPU, para 23,8 euros por assinante.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PT Multimédia multiplica resultados por 10&lt;br /&gt;O lucro da PT Multimédia aumentou quase 10 vezes no primeiro semestre deste ano, face a igual período de 2003, passando de 3,1 milhões para 30,6 milhões de euros, com as receitas de exploração a crescerem 10,4 por cento para 360,1 milhões de euros&lt;/strong&gt;. Um "salto" que a operadora atribuiu ao crescimento dos negócios de TV por assinatura - mais 13,6 por cento para 161,9 milhões - e de Internet por cabo - mais 29,3 por cento para 30,4 milhões - , mas também à recuperação do negócio de media (Lusomundo) - mais 12 por cento para 80,6 milhões.&lt;br /&gt;Os custos operacionais, excluindo amortizações, decresceram marginalmente 0,1 por cento, para 269,1 milhões de euros, fazendo o resultado operacional subir 166,5 por cento, para 62 milhões de euros. O EBITDA cresceu 60,4 por cento, para 91 milhões de euros.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;CAMPOS, Anabela, Público, 8 de Setembro de 2004&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ora aí está o Neoliberalismo em todo o seu esplendor!&lt;br /&gt;Fantástico! Os lucros sobem exponencialmente, e o que é que se pretende fazer?- Despedir mais pessoas! Onde é que andam os nossos fantásticos governantes nestas horas? Caladinhos que nem ratos, protegendo os seus amiguinhos exploradores!&lt;br /&gt;Lindo país o nosso, onde os arautos da pretensa justiça social, se encontram a ocupar as cadeiras do poder! Palmas, palminhas para eles!!!!&lt;br /&gt;Depois, ainda têm a lata de vir pedir sacrifícios aos mesmos do costume. Boa Bagão, boa Santana &amp;amp; Portas, obrigado por defenderem os interesses do povo – aquele por quem, aliás, não foram eleitos!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109515613939339431?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109515613939339431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109515613939339431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109515613939339431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109515613939339431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/portugal-o-paradigma-da-justia-social.html' title='Portugal: o paradigma da justiça social'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109515581859099455</id><published>2004-09-14T10:54:00.000+01:00</published><updated>2004-09-14T10:56:58.590+01:00</updated><title type='text'>Vigilância Total...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“No passado, nenhum governo tinha podido manter os cidadãos debaixo de constante vigilância. Agora, a Polícia do Pensamento vigiava toda a gente, de forma incessante”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;George Orwell&lt;br /&gt;Mil Novecentos e Oitenta e Quatro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que este Verão tencionam passar férias nos Estados Unidos devem saber que, em virtude de um acordo estabelecido entre a Comissão Europeia e as autoridades federais, a companhia de aviação em que pretendem viajar fornecerá, sem o seu consentimento, certas informações pessoais às alfândegas dos Estados Unidos. Antes mesmo de os viajantes entrarem no avião, as autoridades dos Estados Unidos ficarão a conhecer os respectivos nome e apelido, idade, endereço, números de passaporte e cartão de crédito, estado de saúde, preferências alimentares ( que podem revelar a sua religião), viagens anteriores, nome e idade das pessoas que os tenham acompanhado, organizações que tenham financiado certas deslocações, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas estas informações serão fornecidas a um dispositivo de filtragem, baptizado CAPPS ( Computer Assisted Passenger Pre- Screening, Sistema Assistido por Computador de Controlo Preventivo), com vista a serem detectados eventuais suspeitos. Ao controlar a identidade de cada um dos viajantes e cruzando-a com dados dos serviços policiais de informação, do Departamento de Estado, do Ministério da Justiça e dos bancos, o CAPPS poderá avaliar o grau de perigosidade dos passageiros e atribuir-lhe um código colorido: verde para os inofensivos, amarelo para os casos duvidosos, vermelho para os que serão impedidos de entrar no avião e detidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o visitante for muçulmano ou vier do Médio Oriente, ser-lhe-á automaticamente atribuído o código amarelo de suspeito. Além disso, o Programa de Segurança de Fronteiras autoriza os agentes das alfândegas a fotografarem-no e a ficarem com as suas impressões digitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os latino-americanos estão também sob vigilância. Descobriu-se que 65 milhões de mexicanos, 31 milhões de colombianos e 18 milhões de centro-americanos se encontram catalogados nos Estados Unidos, sem o saberem e sem o consentimento dos seus governos respectivos. Em cada ficha estão anotados diversos elementos de identificação: data e lugar de nascimento, sexo, identidade dos pais, descrição física, situação matrimonial, número de passaporte e profissão declarada. Estes processos incluem muitas vezes informes de carácter confidencial, tais como endereços pessoais, número de telefone, de conta bancária e de matrícula de veículos, bem como impressões digitais. A pouco e pouco, todos os latino-americanos serão etiquetados por Washington.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ O objectivo consiste em instaurarmos um mundo mais seguro. É preciso estarmos informados do risco que representam as pessoas que entram no nosso país”, afirmou  James Lee, um dos responsáveis da ChoicePoint, a empresa que compra estes ficheiros para depois os revender à administração dos Estados Unidos. Porque a lei norte-americana proíbe que ela armazene informações pessoais. Mas não proíbe que uma empresa privada faça a mesma coisa por conta do governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabelecida perto de Atlanta, a ChoicePoint não é uma empresa desconhecida. Quando do escrutínio presidencial na Florida, em 2000, a sua filial Database Technologies(DBT) foi contratada pelo Estado para reorganizar as suas listas eleitorais. Resultado: milhares de pessoas ficaram privadas do direito de voto. Coisa que modificou o resultado do escrutínio, ganho por George W. Bush graças a apenas 537 votos…Foi isso, como se sabe, que lhe permitiu chegar à presidência…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que os atentados do 11 de Setembro de 2001 tenham acentuado a xenofobia, os estrangeiros não são as únicas pessoas alvo duma vigilância cada vez mais acentuada. Os cidadãos norte-americanos não escapam à actual paranóia. Novos controlos legitimados pela PATRIOT ACT, põem em causa a vida privada das pessoas, o sigilo da correspondência e a liberdade de informação. A autorização de escutas telefónicas deixou de ser necessária. Os investigadores podem aceder às informações pessoais dos cidadãos sem mandado de busca. Deste modo, o FBI está actualmente a pedir às bibliotecas que lhe forneçam as listas dos livros e dos sítios Internet consultados pelos seus assinantes, para estabelecer o “perfil intelectual” de cada leitor…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mais delirante de todos os projectos de espionagem ilegal é o que o Pentágono está a elaborar com o nome de Total Information Awareness (TIA), sistema de vigilância total das informações, para o qual foi nomeado o general John Poindexter, condenado na década de 1980 por ter sido o instigador do escândalo “Irão-Contras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Este projecto consiste em coligir, em média, 40 páginas de informações relativas a cada um dos 6,2 mil milhões de habitantes do planeta, ficando o tratamento desses dados entrgue a um hipercomputador. Centralizando, cruzando e tratando todos os dados pessoais disponíveis – pagamentos por cartão bancário, assinaturas de meios de comunicação social, movimentos bancários, telefonemas, consultas de sítios na Internet, correios electrónicos, ficheiros policiais, dossiês das seguradors, informações médicas e da segurança social -, o Pentágono espera estabelecer a traçabilidade completa de todas as pessoas&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal  como no filme de Steven Spielberg, Minority Report, as autoridades norte-americanas pensam deste modo poder evitar os crimes antes mesmo de eles serem cometidos. “Haverá menos vida privada mas haverá mais segurança”, considera John L. Petersen, presidente do Arlington Institute, “graças à interconexão de todas as informações que lhe digam respeito a si, poderemos antecipar o futuro. Em breve saberemos tudo a seu respeito”. O BIG BROTHER já foi ultrapassado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;RAMONET, Ignacio, “Vigilância Total”, Le Monde Diplomatique, nº53, Agosto de 2003.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109515581859099455?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109515581859099455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109515581859099455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109515581859099455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109515581859099455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/vigilncia-total.html' title='Vigilância Total...'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109482350562544761</id><published>2004-09-10T22:37:00.000+01:00</published><updated>2004-09-10T14:38:25.626+01:00</updated><title type='text'>Deixai vir a mim as criancinhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;    "A venda de armas de fogo é proíbida aos menores nos Estados Unidos, mas a publicidade aponta para essa clientela. Um aviso da National Riffle Association diz que o futuro do tiro desportivo está «nas mãos dos nossos netos» e um folheto da National Shooting sports Foundation explica que qualquer criança de dez anos devia dispor de uma arma de fogo, quando fica sozinha em casa, ou quando sai sozinha para fazer uma compra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O catálogo da fábrica de armas New England Firearms diz que as crianças são «o futuro destes desportos que todos amamos».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;     Segundo os dados do Violence Policy Center, &lt;strong&gt;as balas matam&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;diariamente&lt;/strong&gt;, por crime, suícidio ou acidente, &lt;strong&gt;catorze crianças ou adolescentes menores de dezanove anos&lt;/strong&gt;, nos Estados Unidos. A nação vive de respingo em respingo, e de sufoco em sufoco, pelos tiroteios infantis. Às duas por três, aparece alguma criança, quase sempre branca, sardenta, que abate companheirinhos de turma ou professores."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, De pernas para o ar, Lisboa, Editorial Caminho, 2002&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109482350562544761?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109482350562544761/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109482350562544761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109482350562544761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109482350562544761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/deixai-vir-mim-as-criancinhas.html' title='Deixai vir a mim as criancinhas'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-110008972286877827</id><published>2004-09-10T13:25:00.000+01:00</published><updated>2004-11-10T12:28:42.866Z</updated><title type='text'>Para dizer NÃO!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O presidente do planeta anuncia o seu próximo crime em nome de Deus e da Democracia.&lt;br /&gt;Assim, calunia Deus. E calunia, também a Democracia, que a muito custo sobreviveu no mundo apesar das ditaduras que os Estados Unidos têm vindo a semear em todas as partes desde há mais de um século.&lt;br /&gt;O governo de Bush, que mais do que um governo parece um oleoduto, necessitava de se apoderar da segunda reserva mundial de petróleo, que jaz sob o solo do Iraque. Além disso, necessitava de justificar o dinheiro dos seus gastos militares e exibir no campo de batalha os últimos modelos da sua indústria de armamento.&lt;br /&gt;É disto que se trata. O resto, são pretextos. E os pretextos para esta próxima carnificina ofendem a inteligência. O único país que utilizou armas nucleares contra população civil, o país que largou as bombas atómicas que aniquilaram Hiroxima e Nagásaki, pretende convencer-nos de que o Iraque é um perigo para a humanidade, e verdadeiramente quer conjurar a mais grave ameaça de que a humanidade padece. Por que não se bombardeia a si mesmo, em vez de planificar um novo extermínio de povos inocentes?&lt;br /&gt;Imensas manifestações irão invadir as ruas do mundo, neste 15 de Fevereiro. A Humanidade está farta de que os seus assassinos a utilizem como álibi. E está farta de chorar os seus mortos no final de cada guerra: desta vez, quer impedir a guerra que os vai matar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo ,Brecha, Montevideo , Sexta-feira  7 de Fevereiro de 2003.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-110008972286877827?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/110008972286877827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=110008972286877827' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110008972286877827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/110008972286877827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/para-dizer-no.html' title='Para dizer NÃO!'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109454840894733595</id><published>2004-09-08T06:13:00.000+01:00</published><updated>2004-09-07T10:17:09.190+01:00</updated><title type='text'>Portugal no seu melhor...BORNDIEP</title><content type='html'>&lt;a name="topo"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Borndiep" &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Regressar de um período de férias sem contactos com a realidade portuguesa para mergulhar de novo na actualidade nacional tem com frequência o sabor de um duche de água fria.&lt;br /&gt;A primeira surpresa do regresso foi que o ministro Paulo Portas decidiu (invocando a segurança nacional, a defesa da ordem e a saúde pública) enviar a Marinha de Guerra impedir a entrada em águas territoriais portuguesas de um navio-clínica holandês com meia dúzia de tripulantes, que realiza abortos em águas internacionais, de acordo com a lei do país sob cuja bandeira navega. Deve registar-se como gesto imbuído de alguma racionalidade que o ministro tenha decidido não confiar apenas na Nossa Senhora de Fátima para afastar o navio das nossas costas e tenha recorrido às Forças Armadas. Só que o gesto provavelmente deve mais ao gosto do ministro pelos gestos de opereta que à sua distância do anti-racionalismo.&lt;br /&gt;Que Paulo Portas e o seu partido são contra o aborto já se sabe e essa posição é, em princípio, respeitável. O que é menos respeitável é que um membro do Governo (para mais extravasando as suas funções no que respeita à jurisdição do Presidente da República) venha invocar falsos argumentos para limitar de uma forma inaceitável a liberdade de movimentos de um navio de um país da União Europeia, tripulado por elementos que não são (que se saiba, pelo menos tal não foi invocado) criminosos internacionais.&lt;br /&gt;Que os argumentos invocados podem ser objecto de discussão jurídica é evidente. É claro que um país pode impedir o acesso de um navio que coloque de facto problemas de segurança ou de saúde pública. A questão neste caso, porém, não é de interpretação jurídica mas de substância política. Não é possível sustentar de forma séria que a presença do navio coloca em risco a soberania nacional ou suscita problemas de saúde pública. A ordem de Portas é uma medida autocrática, onde uma limitação das liberdades de uns quantos cidadãos europeus é ditada por razões exclusivamente ideológicas e defendida publicamente com base numa mentira popular. A prática tem seguidores notáveis, de Bush a Putin, em particular nesta era "antiterrorista", onde de novo os meios justificam os fins.&lt;br /&gt;A questão que se coloca em relação ao "Borndiep" é simples: o navio ou algum dos seus tripulantes violou a lei portuguesa? Há razões concretas para recear que isso aconteça? Não havendo é evidente que a sua liberdade de movimentos não pode ser limitada. Dizer que o navio não violou a lei mas a contorna e que isso justifica a limitação dos direitos cívicos dos seus tripulantes é regressar aos tempos em que tudo o que não era expressamente permitido devia por uma questão de prudência ser considerado proibido.&lt;br /&gt;E se é esse o argumento que dita a razão do Governo não se percebe a razão por que, usando o mesmo critério, não há-de também perseguir aqueles que conseguem pagar menos impostos através de habilidades legais para contornar as leis fiscais. O Estado de direito não pode ser um jogo de plasticina à mercê de uma criança caprichosa e os navios de guerra não são brinquedos de que se deva puxar para impressionar os amigos ou meter medo aos vizinhos. O instrumento é brutal, desproporcionado em relação à "ameaça" e o seu uso gratuito um insulto ao papel das Forças Armadas.&lt;br /&gt;É tristemente significativo dos tempos que, num inquérito feito pelo PÚBLICO, cerca de 40 por cento dos respondentes tenha concordado com Portas (imagina-se que exaltados com os arroubos de patriotismo do prócer ou simplesmente discordantes das práticas do navio holandês). Os argumentos nacionalistas colhem sempre um apoio desproporcionado em relação à sua verdade, sensatez ou bondade e Portas é pródigo na sua aspersão. Seria bom que eles fossem sistematicamente desmontados desde a sua origem pela oposição. Os atentados à liberdade e os atropelos à lei, principalmente quando são feitos apelando ao patriotismo (e mesmo quando são discursos de opereta em voz de falsete), não podem ser acolhidos com um encolher de ombros displicente. A história está cheia de palhaços trágicos que gostavam de puxar da pistola.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;"Borndiep", in Jornal Público, Terça-Feira, 7 de Setembro de 2004&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109454840894733595?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109454840894733595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109454840894733595' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109454840894733595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109454840894733595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/portugal-no-seu-melhorborndiep.html' title='Portugal no seu melhor...BORNDIEP'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109878094404588637</id><published>2004-09-02T09:55:00.000+01:00</published><updated>2004-11-04T10:00:38.830Z</updated><title type='text'>Basquiat,Jean-Michel</title><content type='html'>&lt;div style="FLOAT: right; MARGIN-BOTTOM: 10px; MARGIN-LEFT: 10px"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1067879/"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid" alt="" src="http://www.flickr.com/photos/1067879_3c139d88f1_m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="MARGIN-TOP: 0px;font-size:0;" &gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1067879/"&gt;Basquiat,Jean-Michel&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109878094404588637?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109878094404588637/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109878094404588637' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109878094404588637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109878094404588637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/basquiatjean-michel.html' title='Basquiat,Jean-Michel'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109402960599384030</id><published>2004-09-01T18:05:00.000+01:00</published><updated>2004-09-10T14:49:41.393+01:00</updated><title type='text'>Curso básico de racismo e machismo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Os subordinados devem obediência eterna aos seus superiores, tal como as mulheres devem obediência aos homens. Uns nascem para mandar e outros nascem para ser mandados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O racismo justifica-se, tal como o machismo, pela herança genética: os pobres não estão lixados por causa da História mas sim por causa da Biologia. No sangue transportam o destino e, para piorar as coisas, os cromossomas da inferioridade costumam misturar-se com as sementes daninhas do crime.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando se aproxima um pobre de pele escura, acende-se a luz vermelha do perigosímetro; e o alarme dispara.&lt;/span&gt; "&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, De pernas para o ar, Lisboa, Editorial Caminho,2002&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109402960599384030?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109402960599384030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109402960599384030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109402960599384030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109402960599384030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/curso-bsico-de-racismo-e-machismo.html' title='Curso básico de racismo e machismo'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109403041551210076</id><published>2004-09-01T10:08:00.000+01:00</published><updated>2004-09-10T14:42:30.813+01:00</updated><title type='text'>Só mais um pouco de  racismo...</title><content type='html'>"Nas Américas, e também na Europa, a polícia caça estereótipos, culpados do delito de porte de cara. Cada suspeito não branco confirma a regra escrita, com tinta invisível, nas profundezas da consciência colectiva :o crime é negro, ou castanho, ou pelo menos amarelo. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, De pernas para o ar, Lisboa, Editorial Caminho, 2002&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109403041551210076?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109403041551210076/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109403041551210076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109403041551210076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109403041551210076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/09/s-mais-um-pouco-de-racismo.html' title='Só mais um pouco de  racismo...'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109956427370875551</id><published>2004-08-30T10:31:00.000+01:00</published><updated>2004-11-04T10:34:57.880Z</updated><title type='text'>IWantMyWar</title><content type='html'>&lt;div style="FLOAT: right; MARGIN-BOTTOM: 10px; MARGIN-LEFT: 10px"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://www.flickr.com/photos/14001315@N00/1257103/"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid" alt="" src="http://www.flickr.com/photos/1257103_93cf53b85c_m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="MARGIN-TOP: 0px;font-size:0;" &gt; &lt;a href="http://www.danzigercartoons.com"&gt;www.danzigercartoons.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/14001315@N00/"&gt;ursopolaco&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br clear="all"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109956427370875551?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109956427370875551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109956427370875551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109956427370875551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109956427370875551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/iwantmywar.html' title='IWantMyWar'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109361869681722598</id><published>2004-08-27T23:43:00.000+01:00</published><updated>2004-08-27T15:58:16.816+01:00</updated><title type='text'>Liberdade?</title><content type='html'>Caminhar é um perigo e respirar é uma façanha nas grandes cidades do mundo às avessas. Quem não é prisioneiro da necessidade é prisioneiro do medo: uns não dormem pela ansiedade de ter as coisas que não têm e outros não dormem pelo pânico de perderem as coisas que têm.&lt;br /&gt;O mundo às avessas treina-nos para ver o próximo como uma ameaça e não como uma promessa, reduz-nos à solidão e consola-nos com drogas químicas e com amigos cibernéticos.&lt;br /&gt;Estamos condenados a morrer de tédio, se uma bala perdidad não nos abreviar a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será esta a liberdade, a liberdade de escolher entre estas ameaças de desgraça, a nossa única liberdade possível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O mundo às avessas ensina-nos a padecer a realidade em vez de a mudar, a esqueçer o passado em vez de o ouvir e a aceitar o futuro em vez de o imaginar: assim age o crime e assim o recomenda. Na sua escola, a escola do crime, são obrigatórias as aulas de impotência, amnésia e resignação.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas está visto que não há desgraça sem graça, nem medalha que não tenha reverso, nem tempestade que não traga bonança, nem desânimo que não procure ânimo.&lt;br /&gt;Também não há escola que não encontre a sua contra-escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abaixo este sistema merdoso que nos oprime e reprime. Já chega deste lixo civilizacional&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109361869681722598?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109361869681722598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109361869681722598' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109361869681722598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109361869681722598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/liberdade.html' title='Liberdade?'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109361511966076716</id><published>2004-08-27T22:58:00.000+01:00</published><updated>2004-08-27T14:58:39.660+01:00</updated><title type='text'>Manipulação de massas e desinformação</title><content type='html'>" Um Estado totalitário verdadeiramente 'eficiente' seria aquele em que o todo poderoso comité executivo dos chefes políticos e o seu exército de directores tivessem o controlo de uma população de escravos, que seria inútil coagir, porque estes amariam a sua servidão. Fazer com que a amem- tal é a tarefa afecta, nos Estados totalitários de hoje, aos ministros da propaganda, aos chefes de redacção dos jornais e aos mestres-escola"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;in: Huxley, Aldous, cfr. RAMONET, Ignacio, " A Tirania da Comunicação", Porto, Campo das Letra, 2000, p.29&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109361511966076716?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109361511966076716/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109361511966076716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109361511966076716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109361511966076716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/manipulao-de-massas-e-desinformao.html' title='Manipulação de massas e desinformação'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109360224921549814</id><published>2004-08-27T19:23:00.000+01:00</published><updated>2004-09-10T14:44:03.753+01:00</updated><title type='text'>Crime organizado</title><content type='html'>&lt;strong&gt;"&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A economia mundial é a mais eficiente expressão do crime organizado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;.&lt;br /&gt;Os organismos internacionais que controlam a moeda, o comércio e o crédito praticam o terrorismo contra os países pobres, e contra todos os pobres de todos os países, com uma frieza profissional e uma impunidade que humilham o melhor dos bombistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte de enganar o próximo, que os vigaristas praticam caçando desprevenidos pelas ruas, chega ao sublime quando alguns políticos de êxito exercitam o seu talento. Nos subúrbios do mundo, os chefes de Estado vendem os restos de colecção e os retalhos dos seus países a preço de liquidação de final de temporada, tal como nos subúrbios das cidades os delinquentes vendem , a preço vil, o produto dos seus assaltos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os violadores que mais ferozmente violam a Natureza e os direitos humanos nunca são presos. Têm as chaves das cadeias.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No mundo tal como está, o mundo às avessas, os países que custeiam a paz universal, são aqueles que mais armas fabricam e os que mais armas vendem aos restantes países; os bancos mais prestigiados são os que mais narcodólares lavam e os que mais dinheiro roubado guardam; as indústrias mais florescentes são as que mais envenenam o planeta; e a salvação do meio ambiente é o mais brilhante negócio das empresas que o aniquilam. São dignos de impunidade e felicitações os que matam mais gente em menos tempo, os que ganha mais dinheiro com menos trabalho e os que destroem a maior quantidade de Natureza com menos custos...&lt;/strong&gt; "&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, De pernas para o ar, Lisboa, Editorial Caminho, 2002&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109360224921549814?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109360224921549814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109360224921549814' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109360224921549814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109360224921549814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/crime-organizado.html' title='Crime organizado'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109360047809033913</id><published>2004-08-27T18:54:00.000+01:00</published><updated>2004-09-10T14:45:27.070+01:00</updated><title type='text'>Educando pelo exemplo</title><content type='html'>"&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A escola do mundo às avessas é a mais democrática das instituições educativas. Não exige exame de admissão, não cobra matrícula e ministra os seus cursos gratuitamente, a todos e em qualquer lugar, assim na terra como no céu: por alguma razão é filha do sistema que conquistou, pela primeira vez em toda a história da humanidade, o poder universal.&lt;br /&gt;Na escola do mundo às avessas, o chumbo aprende a flutuar e a cortiça a afundar-se. As víboras aprendem a voar e as nuvens aprendem a rastejar pelos caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo às avessas premeia às avessas: drespreza a honestiade, pune o trabalho, recompensa a falta de escrúpulos e alimenta o canibalismo.&lt;/span&gt; "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, De pernas para o ar, Lisboa, Editorial Caminho, 2002&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109360047809033913?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109360047809033913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109360047809033913' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109360047809033913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109360047809033913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/educando-pelo-exemplo.html' title='Educando pelo exemplo'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109360360964142635</id><published>2004-08-27T11:44:00.000+01:00</published><updated>2004-08-27T11:46:49.640+01:00</updated><title type='text'>Mais 1,3 Milhões de Pobres nos Estados Unidos em 2003</title><content type='html'>&lt;a name="topo"&gt;Mais 1,3 Milhões de Pobres nos Estados Unidos em 2003 &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Gabinete do Censo dos EUA divulgou que em 2003 havia 35,8 milhões de americanos abaixo do nível de pobreza - um aumento de 12 por cento em relação a 2002. A percentagem de americanos sem acesso ao sistema de saúde aumentou também, em 15 por cento.&lt;br /&gt;Estes números foram divulgados ontem, e são embaraçosos para o Presidente George W. Bush, nas vésperas do início da convenção do Partido Republicano em Nova Iorque. A economia americana não está a ajudar a recandidatura de Bush à Casa Branca: as estatísticas de desemprego e os preços dos combustíveis também são problemáticos para o Presidente.&lt;br /&gt;Os dados do Censo mostram que 12,5 por cento da população dos EUA vive abaixo do limiar de pobreza; este número inclui 12,9 milhões de crianças. Foi o terceiro ano consecutivo em que este número subiu - ou seja, desde que Bush chegou à Casa Branca, todos os anos há mais americanos pobres.&lt;br /&gt;2003 foi também foi o terceiro ano consecutivo em que o número de americanos sem um seguro de saúde aumentou; como não há um sistema de saúde público a nível nacional nos EUA, não ter um seguro pode significar grandes dificuldades no acesso a cuidados médicos.&lt;br /&gt;O censo traz ainda mais más notícias: o rendimento médio das famílias americanas manteve-se ao mesmo nível entre 2002 e 2003 (uma média de 43,3 mil dólares, perto de 36 mil euros). Mas entre famílias hispânicas, o rendimento médio caiu 2,6 por cento - um dado particularmente desagradável para Bush que está a fazer um esforço para apelar ao voto dos "latinos".&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109360360964142635?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109360360964142635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109360360964142635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109360360964142635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109360360964142635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/mais-13-milhes-de-pobres-nos-estados.html' title='Mais 1,3 Milhões de Pobres nos Estados Unidos em 2003'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109352720789049877</id><published>2004-08-26T22:32:00.000+01:00</published><updated>2004-09-10T14:46:39.926+01:00</updated><title type='text'>O medo global</title><content type='html'>&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quem não tem medo da fome tem medo da comida.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os automobilistas têm medo de caminhar e os peões têm medo de ser atropelados.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;É o tempo do medo!&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Medo da mulher que teme a violência do homem e medo do homem que teme a mulher sem medo.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Medo dos ladrões, medo da polícia.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Medo da porta sem fechadura, do tempo sem relógios, do menino sem televisão, medo da noite sem comprimidos para acordar.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Medo da multidão, medo da solidão, medo do que foi e do que pode ser, medo de morrer, medo de viver.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, De pernas para o ar, Lisboa, Editorial Caminho, 2002&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109352720789049877?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109352720789049877/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109352720789049877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109352720789049877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109352720789049877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/o-medo-global.html' title='O medo global'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109351342305731329</id><published>2004-08-26T18:35:00.000+01:00</published><updated>2004-08-26T10:43:43.056+01:00</updated><title type='text'>Pérola intelectual...</title><content type='html'>Eis uma verdadeira pérola do pensamento de uma alta responsável política americana, no caso a ex- secretária de Estado &lt;strong&gt;Madeleine Albright&lt;/strong&gt;, nos canais televisivos americanos, quando lhe perguntaram o que é que pensava das estimativas que apontam para &lt;strong&gt;meio milhão de crianças&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;iraquianas mortas&lt;/strong&gt;, como resultado do regime de sanções( imposto pelos EUA).&lt;br /&gt;Ela reconheceu que esse tipo de consequências havia sido uma «opção difícil» para o seu governo, mas acrescentou: «&lt;strong&gt;pensamos que o preço vale a pena&lt;/strong&gt;».&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109351342305731329?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109351342305731329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109351342305731329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109351342305731329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109351342305731329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/prola-intelectual.html' title='Pérola intelectual...'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109352843671144797</id><published>2004-08-26T14:41:00.000+01:00</published><updated>2004-09-10T14:47:47.086+01:00</updated><title type='text'>CURSO INTENSIVO DE INCOMUNICAÇÃO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"A guerra é a continuação da televisão por outros meios, diria Karl Von Clausewitz, se o general ressuscitasse, um século e meio depois, e se se pusesse a fazer &lt;em&gt;zapping&lt;/em&gt;. A realidade real imita a realidade virtual que imita a realidade real, num mundo que transpira violência por todos os poros.&lt;br /&gt;A violência gera violência, como se sabe; mas também gera lucros para a indústria da violência, que a vende como espectáculo e a transforma em objecto de consumo.&lt;br /&gt;Já não é preciso que os fins justifiquem os meios.&lt;br /&gt;Agora os meios, os meios de comunicação de massas, justificam os fins de um sistema de poder que impõe os seus valores à escala planetária. O &lt;strong&gt;ministério da educação do governo mundial&lt;/strong&gt; está em poucas mãos. &lt;strong&gt;Nunca tantos tinham sido incomunicados por tão poucos&lt;/strong&gt;." &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, De pernas para o ar, Lisboa, Editorial Caminho, 2002&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109352843671144797?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109352843671144797/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109352843671144797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109352843671144797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109352843671144797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/curso-intensivo-de-incomunicao.html' title='CURSO INTENSIVO DE INCOMUNICAÇÃO'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109344603911572698</id><published>2004-08-25T23:55:00.000+01:00</published><updated>2004-09-10T14:48:54.163+01:00</updated><title type='text'>Pontos de vista...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Do ponto de vista da economia, a venda de armamentos não se distingue da venda de alimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A derrocada de um edifício ou a queda de um avião são muito inconvenientes do ponto de vista de quem está dentro, mas são convenientes para o crescimento do PIB, o Produto Interno Bruto, que às vezes poderia chamar-se o Produto Criminal Bruto."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;GALEANO, Eduardo, De pernas para o ar, Lisboa, Editorial Caminho, 2002&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109344603911572698?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109344603911572698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109344603911572698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109344603911572698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109344603911572698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/pontos-de-vista.html' title='Pontos de vista...'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109344525184814262</id><published>2004-08-25T15:47:00.000+01:00</published><updated>2004-08-25T15:47:31.846+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A partir deste pedaço de escrita, ou de possibilidade de escrita, pretendo alcançar o impossivel: a alteração de um sistema global fundado na hipocrisia e na mentira!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109344525184814262?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109344525184814262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109344525184814262' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109344525184814262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109344525184814262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/partir-deste-pedao-de-escrita-ou-de.html' title=''/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8048550.post-109343268104814207</id><published>2004-08-25T08:12:00.000+01:00</published><updated>2004-08-25T12:18:01.046+01:00</updated><title type='text'>Somos  americanos...somos os maiores!!!!!</title><content type='html'>&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Somos o número um&lt;/strong&gt; em milionários&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Somos o número um&lt;/strong&gt; em bilionários&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Somos o número um&lt;/strong&gt; em gastos militares&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Somos o número um&lt;/strong&gt; em mortes por armas de fogo&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Somos o número um&lt;/strong&gt; em produção de carne&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Somos o número um&lt;/strong&gt; em gasto &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt; de energia&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Somos o número um&lt;/strong&gt; em emissões de dióxido de carbono(mais do que a Austrália, o Brasil, a França, a Índia, a Indonésia, a Alemanha, a Itália, o México e o Reino Unido todos juntos).&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;     enfim: somos o MÁXIMO!!!!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8048550-109343268104814207?l=ursopolaco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ursopolaco.blogspot.com/feeds/109343268104814207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8048550&amp;postID=109343268104814207' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109343268104814207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8048550/posts/default/109343268104814207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ursopolaco.blogspot.com/2004/08/somos-americanossomos-os-maiores.html' title='Somos  americanos...somos os maiores!!!!!'/><author><name>cao de guarda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10741974033001211519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
